PP diz que "sanchismo" está devastado após quatro derrotas eleitorais
“Celebramos que o ‘sanchismo’ feche este ciclo eleitoral devastado”, escreveu Feijóo, na rede social X, numa publicação em que se congratulou com a vitória do PP nas eleições regionais de hoje na Andaluzia.
Estas foram as quartas eleições autonómicas em Espanha em menos de cinco meses, depois das da Extremadura, Aragão e Castela e Leão, todas convocadas pelo PP.
O PP venceu todas estas quatro eleições, mas sem maioria absoluta, e a viabilização dos governos regionais ficou nas mãos do Vox, de extrema-direita.
As negociações entre os dois partidos deram já lugar a acordos na Extremadura e em Aragão, ao abrigo dos quais a extrema-direita voltou a entrar em dois governos em Espanha.
Os acordos estabelecerem, por exigência do Vox, um critério de “prioridade nacional” no acesso a apoios sociais e serviços públicos, considerado ilegal e xenófobo por diversos setores e vozes, como a da Igreja Católica, que denunciaram o objetivo de discriminar imigrantes.
O candidato do PP nas eleições de hoje, Juan Manuel Moreno (conhecido como Juanma Moreno), que é também o presidente do governo regional desde 2019, foi um dos “barões” populares que condenou “a prioridade nacional” inscrita nos acordos assinados na Extremadura e em Aragão.
Nesta campanha, Juanma Moreno, de perfil de direita moderada, pediu insistentemente uma “maioria suficiente” para “evitar problemas” e considerou mesmo que um governo com o Vox é inviável.
O presidente do Vox, Santiago Abascal, congratulou-se hoje por o partido voltar a ser “decisivo” pela quarta vez em quatro eleições consecutivas.
Abascal e o candidato do Vox nas eleições andaluzas, Manuel Gavira, instaram Juanma Moreno a ouvir os eleitores que votaram na extrema-direita e que, no entender de ambos, “acreditam na prioridade nacional” e “na proteção da agricultura face ao Mercosul e ao fanatismo verde”.
Juanma Moreno, por seu turno, no discurso de vitória, considerou que recebeu um “mandato claro” dos eleitores para governar e “continuar o projeto” que tem levado a cabo à frente do executivo regional.
O PP perdeu hoje cinco deputados e a maioria absoluta que tinha na Andaluzia, mas teve mais 143 mil votos do que nas eleições anteriores, sublinhou Juanma Moreno, que não se referiu ao Vox nem referiu se pretende negociar com outra força política a viabilização do novo executivo.
Numas eleições em que a abstenção diminuiu quase oito ponto percentuais e se situou nos 35,16%, o PP teve 41,6% dos votos e elegeu 53 deputados para o parlamento autonómico, menos dois do que os necessários para a maioria absoluta.
O PSOE foi o segundo mais votado, com 22,7% e 28 deputados, naquele que foi o pior resultado de sempre do partido na Andaluzia, uma região que o partido governou durante 37 anos consecutivos e foi até 2018 o maior bastião dos socialistas espanhóis.
A terceira força mais votada foi o Vox, com 13,8%, um resultado semelhante ao de há quatro anos, mas com o qual elegeu mais um deputado, passando a ter 15.
O partido que mais cresceu foi o Em Frente Andaluzia (“Adelante Andalucía”, no original em castelhano), da esquerda nacionalista (de âmbito regional), que conseguiu oito deputados (tinha dois).
Elegeu ainda cinco deputados hoje a coligação de esquerda Pela Andaluzia (“Por Andalucía”), mantendo os lugares que já tinha.
A candidata do PSOE, Maria Jesus Montero, reconheceu que os resultados “não foram bons” e disse que os socialistas “tomam nota” do que ditaram os eleitores e vão “analisar em detalhe” os resultados.
Maria Jesus Montero foi ministra das Finanças de Pedro Sánchez entre 2018 e este ano. Era também a vice de Sánchez no Governo e continua a ser a “número dois” na direção nacional do PSOE.
Numa publicação nas redes socais, Sánchez felicitou Juanma Moreno pela vitória e Maria Jesus Montero “pelo trabalho e pelo compromisso”.
“Os socialistas continuarão a impulsionar os avanços sociais e a política útil, essa que melhora a vida das pessoas”, acrescentou.
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