Procurador Rosário Teixeira desdiz-se sobre contacto com jornalista na <em>Operação Marquês</em>
No espaço de minutos, o procurador do Departamento Central de Investigação e Acção Penal Rosário Teixeira desdisse-se, esta quinta-feira, em tribunal sobre os contactos que manteve com uma jornalista do Sol antes da detenção de José Sócrates na Operação Marquês, em 2014.O magistrado prestava depoimento na qualidade de testemunha no julgamento que está a decorrer no Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, no âmbito do processo que o antigo primeiro-ministro desencadeou contra o Estado português por lentidão da justiça. José Sócrates reclama uma indemnização de 205 mil euros por a fase de inquérito deste megaprocesso se ter prolongado por demasiado tempo, mais de quatro anos, mas também por o Ministério Público não ter conseguido salvaguardar o segredo de justiça, permitindo que muita informação fosse divulgada pela comunicação social.Inquirido na qualidade de antigo titular da Operação Marquês no Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Rosário Teixeira garantiu esta manhã em tribunal não ter mantido contactos com jornalistas sobre este inquérito antes da detenção de José Sócrates e das buscas de Novembro de 2014. Porém, foi confrontado pelo advogado de José Sócrates neste processo administrativo com o teor de um livro publicado pelo jornalista António José Vilela, em que são descritas conversas entre o magistrado e uma repórter do Sol, Felícia Cabrita, antes desta data.Inquirido pela juíza da parte da tarde sobre se afinal tinha mantido ou não estes contactos, uma vez que o livro garante que o próprio Rosário Teixeira já reconheceu que ocorreram, o magistrado começou por assegurar que isso era “rigorosamente falso”. À medida que a juíza ia avançando na leitura de passagens do livro, intitulado “O tribunal dos poderosos”, a sua versão dos factos ia mudando.“Mantenho que não houve qualquer iniciativa minha para procurar a jornalista. Nem me recordo que tenha procurado confirmar connosco qualquer informação que tivesse” sobre este processo, assegurou. Para, logo a seguir, admitir que Felícia Cabrita “terá tentado” obter essa confirmação junto do Ministério Público e também que lhe possa ter sido transmitido, como relata a mesma obra, que a divulgação de uma notícia naquela altura seria fatal para a investigação.De facto, a jornalista acabou por só noticiar o caso, e aparentemente com informação privilegiada, depois de o antigo líder socialista ter sido detido no aeroporto de Lisboa.Perante as contradições de Rosário Teixeira, que se encontrava a depor em tribunal sob juramento, o advogado de José Sócrates pediu à juíza para extrair uma certidão contra o procurador, para que este seja constituído arguido e investigado por falsas declarações. A magistrada remeteu a sua decisão sobre o assunto para momento posterior.Quanto às delongas na investigação, o procurador desvalorizou-as, alegando que, apesar de a lei prever um prazo máximo de dois anos para a sua duração, não estabelece sanções para quem não o cumpra. “O objecto deste processo evoluiu e não foi possível respeitar o prazo normal, até porque os factos sob investigação tinham uma duração temporal de oito anos”, justificou-se.



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