SNS com 711 vagas para contratar médicos de família e mais de 1700 para hospitais
O Ministério da Saúde identificou 711 vagas para a contratação de jovens clínicos para a área de medicina geral e familiar, 68 para saúde pública e 1749 para a área hospitalar. Está dado o pontapé de partida para o SNS poder contratar médicos recém-formados ou especialistas que, já tendo terminado a especialidade, não têm vínculo com o serviço público de saúde.De acordo com o despacho, publicado esta segunda-feira em Diário da República, os concursos para médicos de família e saúde pública serão abertos pela Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS). Já na área hospitalar, caberá às unidades Locais de Saúde (ULS) e Institutos Portugueses de Oncologia (IPO) lançar os procedimentos.Em Abril, a ministra Ana Paula Martins disse, no Parlamento, que este ano o mapa de vagas seria aberto com “todos os lugares identificados como necessários pelas unidades locais de saúde”, em particular na medicina geral e familiar. Mas salientou que o ministério não consegue “obrigar os médicos a concorrer a zonas onde não querem e não têm motivação para estar”.No final de Março, segundo dados do Portal do SNS, existiam 1,6 milhões de utentes sem médico de família atribuído. Esta é aliás a especialidade com mais vagas disponíveis – 711, o que representa um acréscimo às 579 lançadas na mesma altura do ano passado. O mesmo acontece com os lugares disponíveis para saúde pública e para os hospitais. Relativamente à saúde pública, no primeiro concurso de 2025 foram disponibilizados 57 lugares e na área hospitalar 1552.O número de vagas identificado ultrapassa, como tem sido hábito nos últimos anos, o número de médicos que terminaram a especialidade na primeira época de avaliação. De acordo com as contas do PÚBLICO às listagens divulgadas pela ACSS, concluíram a formação com êxito 1431 jovens médicos, dos quais 404 são de medicina geral e familiar e 26 de saúde pública. Os restantes dividem-se pelas diversas especialidades hospitalares.Caso no final dos concursos, que ainda terão de ser lançados, fiquem por ocupar postos de trabalho “em virtude de não terem sido escolhidos por nenhum candidato, o Ministério da Saúde “pode autorizar a contratação de pessoal médico sem vínculo ao SNS, na base da carreira, mediante contrato de trabalho sem termo”, desde que “os encargos com o recrutamento estejam devidamente cabimentados no receptivo orçamento”.Amadora-Sintra com 20 vagas para medicina internaTambém esta segunda-feira foi publicado o despacho que identifica os postos de trabalho que podem vir a ser preenchidos por especialidade e entidades de saúde. Assumindo que “ainda persistem assimetrias relevantes na afectação de médicos às diferentes regiões e especialidades, verificando-se, ainda, carências acentuadas em zonas geográficas e áreas de intervenção de maior pressão assistencial”, esta listagem ainda identifica as vagas que poderão vir a ser identificadas como carenciadas.Na área de medicina geral e familiar, sobressaem algumas ULS por terem mais lugares disponíveis. Exemplo da ULS Amadora-Sintra com 90 vagas, sendo esta uma das entidades que tem mais população em números absolutos sem clínico atribuído. Já a ULS do Estuário do Tejo, que tem sido uma das que em termos percentuais tem mais utentes a descoberto, terá 35 vagas para contratar médicos de família. Referencia ainda as ULS da Arrábida com 65, Loures-Odivelas com 52 e Leiria com 51.Na área hospitalar é a medicina interna — especialidade que tem nos últimos anos ficado com muitos lugares desertos e que mesmo na escolha para a formação especialidade tem-se mostrado uma opção menos atraente – que mais lugares terá disponíveis. São 201, dos quais 20 atribuídos à ULS Amadora-Sintra, 11 para São José e dez para a ULS de Santa Maria.Anestesiologia, com 126 vagas, e pediatria, com 109, são as outras duas especialidades com mais vagas para a contratação de médicos recém-formados. Destaque ainda para os 91 lugares para ginecologia/obstetrícia, área em que a falta de médicos tem levado ao encerramento de algumas urgências e foi a justificação para a criação de duas urgências regionais: uma na península de Setúbal e outra numa parceria entre Loures e Vila Franca de Xira.De acordo com o despacho, a ULS Arrábida (Setúbal) tem duas vagas atribuídas, Almada-Seixal seis e Arco Ribeirinho (Barreiro) duas. É o mesmo número de vagas dado a Loures, enquanto a ULS Estuário do Tejo (Vila Franca de Xira) tem três. De resto, ao Algarve e Braga recebem cinco cada uma.Uma referência ainda para cirurgia geral com 85 vagas, 84 para ortopedia e 73 para psiquiatria. Medicina intensiva tem 55. Quanto a cardiologia, são 61 vagas. Cirurgia cardíaca, que nos últimos meses mereceu especial protagonismo por causa das listas de espera, tem sete vagas, distribuídas pela ULS Coimbra (2), Gaia-Espinho (2), São João (2) e Lisboa Ocidental (1).



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