Com foco em Costa, Chega formaliza comissão de inquérito sobre <em>Operação Influencer</em>
Depois do anúncio, a formalização. O Chega já deu entrada na Assembleia da República do projecto para constituir uma nova comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre a Operação Influencer, mais precisamente sobre a intervenção do então primeiro-ministro António Costa nos negócios do lítio e do hidrogénio. Sem maioria no Parlamento para viabilizar esta comissão, o Chega só poderá forçar a sua constituição em Setembro.Para o partido de André Ventura “é chegado o momento de a Assembleia da República escrutinar que influências indevidas foram exercidas”, notando que “são particularmente importantes” as escutas que estavam em segredo de justiça e foram reveladas pela TVI/CNN Portugal. Nessas escutas, de acordo com estes órgãos de comunicação social, António Costa falou com o amigo Diogo Lacerda Machado sobre o data center de Sines, contrariando uma primeira versão apresentada por António Costa em Novembro de 2023.Considera o Chega que “as escutas que demonstram que António Costa falou com Diogo Lacerda Machado sobre o projecto Start Campus, de Sines, na véspera de Natal de 2022” revelam que o ex-primeiro-ministro “mentiu aos portugueses”, bem como “um conjunto de outros dirigentes socialistas, com responsabilidades políticas e governativas”.Por essa razão, o partido define no objecto desta comissão de inquérito, logo no primeiro ponto, que o intuito é o de “aferir a extensão da intervenção” de António Costa nos processos da “exploração de lítio nas minas do Romano (Montalegre) e do Barroso (Boticas)”, no “projecto de central de produção de energia a partir de hidrogénio em Sines” e ainda o “projecto de construção de um data center desenvolvido na Zona Industrial e Logística de Sines pela sociedade Start Campus”.Além disso, o Chega pretende “apurar qual a natureza e extensão da intervenção” de membros dos executivos de António Costa, “bem como de outros titulares de cargos políticos e altos cargos públicos” nestes processos. Por fim, “avaliar a legalidade e/ou a licitude dos actos praticados” nestes processos, “bem como a natureza da responsabilidade a que possam dar causa, e tomar as providências adequadas à concretização dessa responsabilidade”.Na exposição de motivos, o partido liderado por André Ventura deixa ainda uma crítica à actuação da Justiça neste caso. Lê-se que “mais incómodo do que a ausência de uma perspectiva de acusação” é “o facto de se saber que os procuradores que investigam este caso fazem-no apenas em part time, acumulando essa investigação com a de outros processos”.“Aparentemente, o facto de se tratar de um processo que envolve suspeitas de corrupção nas mais altas esferas da administração pública portuguesa não é suficiente para que o Procurador-Geral da República nomeie uma equipa dedicada apenas a esta investigação”, critica o Chega.Como o PÚBLICO já escreveu, se esta proposta não tiver agora o aval da maioria da Assembleia da República, a CPI só poderá avançar de forma potestativa na próxima sessão legislativa, ou seja, a partir de Setembro. Algo que André Ventura já disse que fará.



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