Moçambique Regista Subida de 58% na Procura de Apoio Por Drogas
O impacto do consumo de substâncias psicoativas na juventude e na estabilidade familiar está a colocar o sistema de saúde moçambicano sob forte pressão. De acordo com os dados oficiais recentemente divulgados em Maputo pelas autoridades de saúde e de combate aos estupefacientes, cerca de 17.783 pessoas recorreram aos serviços especializados de psiquiatria e saúde mental ao longo do primeiro semestre deste ano. O número representa um crescimento expressivo de 58,6% em relação ao período homólogo anterior, expondo uma realidade desafiadora para comunidades de várias regiões do país.
Jovens em Idade Produtiva São os Mais Atingidos
O relatório semestral, apresentado em conferência de imprensa pelo Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga em articulação com o Ministério da Saúde, destaca que o perfil dos pacientes atendidos converge, de forma predominante, para uma faixa etária crítica: cidadãos entre os 21 e os 35 anos de idade. Trata-se precisamente do estrato populacional com maior potencial de integração académica, inserção laboral e dinamização económica do país.
Especialistas da saúde alertam que o consumo abusivo não se limita a comprometer a saúde física com patologias cardiovasculares ou perturbações mentais severas, como crises de ansiedade aguda, ataques de pânico e surtos psicóticos. As consequências estendem-se diretamente à degradação dos laços afetivos, ao abandono de obrigações cotidianas e à multiplicação de conflitos nos agregados familiares.
O consumo continuado de substâncias compromete o tecido social e atinge a juventude, gerando desafios que transcendem a assistência clínica e afetam diretamente o bem-estar comunitário.
Múltiplas Substâncias e Disparidades Regionais
Na triagem clínica das unidades sanitárias, as principais motivações para a procura de apoio psicológico e psiquiátrico revelam padrões preocupantes:
- Combinação de substâncias: O recurso simultâneo a diferentes produtos lidera com folga as queixas, com 7.372 pacientes diagnosticados;
- Bebidas alcoólicas: O alcoolismo surge como a segunda principal causa de intervenção clínica, totalizando 5.469 casos assistidos;
- Canabinoides e opioides: Foram ainda contabilizados 1.502 atendimentos associados a derivados de canábis e cerca de 1.100 provocados pelo consumo de opioides.
Em termos territoriais, a cidade de Maputo mantém o registo mais expressivo de atendimentos nas consultas especializadas. Contudo, as autoridades sanitárias advertem que o fenómeno apresenta níveis igualmente preocupantes nas províncias de Nampula, Manica e Cabo Delgado, evidenciando uma dispersão geográfica que exige descentralização contínua dos recursos de acolhimento.
Reforço da Sensibilização Comunitária
Perante este cenário, as entidades governamentais e comunitárias reforçaram as iniciativas de prevenção primária. Ao longo dos primeiros seis meses do ano, as campanhas de consciencialização alcançaram mais de 1,38 milhão de cidadãos, mobilizando milhares de ativistas em palestras realizadas em escolas, bairros e centros de juventude.
Em simultâneo com os cuidados médicos e terapêuticos, as autoridades aduaneiras e de investigação criminal aumentaram as operações de vigilância e fiscalização nas rotas fronteiriças. A articulação estreita entre apoio hospitalar, redes de acolhimento familiar e educação preventiva posiciona-se hoje como o caminho indispensável para travar o crescimento das dependências e salvaguardar as próximas gerações.
