Dinheiro em Circulação em Moçambique Atinge Máximo Histórico
O volume de notas e moedas a circular na economia moçambicana registou um novo recorde, assinalando a quarta subida mensal consecutiva e consolidando uma recuperação sustentada da liquidez física após a contracção acentuada verificada no início do ano. De acordo com os dados estatísticos divulgados pelo Banco de Moçambique, o montante total de numerário em circulação alcançou 76.905 milhões de meticais (o equivalente a cerca de 1.049 milhões de euros) no encerramento de Julho, o que representa um avanço de 0,5% em comparação com o mês precedente e estabelece um novo pico de pelo menos um ano.
A trajectória de recuperação da liquidez
Este ciclo de crescimento reflecte uma viragem clara no comportamento financeiro do mercado nacional. O histórico recente demonstra que a massa monetária física havia terminado o ano de 2025 num patamar elevado, fixando-se em 74.951 milhões de meticais em Dezembro. Contudo, o arranque do ano seguinte foi caracterizado por uma forte retração da liquidez, descendo para 69.041 milhões de meticais em Janeiro e aprofundando a queda em Fevereiro (67.597 milhões) e Março (67.376 milhões).
A inversão desse movimento deu-se a partir de Abril, altura em que o agregado subiu para 70.804 milhões de meticais. Desde então, os registos mensais continuaram a acelerar progressivamente até ao resultado apurado em Julho. A evolução deste indicador revela:
- Resiliência no consumo: maior procura por numerário para transacções quotidianas e actividade comercial;
- Expansão da actividade informal: grande dependência de pagamentos em moeda física em vários sectores produtivos;
- Inversão de sazonalidade: recuperação expressiva após o abrandamento típico do primeiro trimestre.
O xadrez da política monetária e da inflação
Para as autoridades financeiras e analistas de mercado, a circulação de numerário é um dos barómetros mais sensíveis da macroeconomia. A retirada de dinheiro do mercado é historicamente empregue pelos bancos centrais como instrumento para conter a procura agregada e aliviar pressões sobre o custo de vida. Por outro lado, um acréscimo continuado do volume de notas em circulação indica maior disponibilidade imediata de fundos, embora possa exigir cautela adicional quanto ao comportamento dos preços no retalho.
A gestão do dinheiro em circulação exige um equilíbrio permanente entre garantir a fluidez do comércio e travar eventuais tensões sobre a estabilidade de preços no país.
O Banco de Moçambique tem mantido uma postura de vigilância rigorosa sobre os agregados monetários. Na sua mais recente avaliação, a autoridade monetária decidiu conservar a taxa de juro de referência MIMO em 9,25%, justificando a postura com a necessidade de calibrar a liquidez do sistema após o reforço do coeficiente de reservas obrigatórias. Embora se preveja alguma pressão inflacionária passageira no curto prazo, as autoridades mantêm a expectativa de estabilidade das variáveis macroeconómicas no horizonte de médio prazo.
Impacto directo no tecido empresarial
A presença de mais moeda em circulação traduz-se em oportunidades práticas para as pequenas e médias empresas, que dependem fortemente de fluxos de caixa em tempo real para pagar a fornecedores e manter as operações a decorrer sem interrupções. Num mercado onde o acesso ao crédito formal ainda enfrenta custos elevados, o dinamismo do comércio físico continua a ser um motor indispensável para o sustento de milhares de famílias e para a vitalidade económica de centros urbanos e rurais em todo o território moçambicano.
