ECONOMIA

Escassez de Divisas e Matérias-Primas Trava Indústria em Moçambique

Escassez de Divisas e Matérias-Primas Trava Indústria em Moçambique

O sector industrial em Moçambique continua a operar significativamente abaixo da sua capacidade produtiva máxima. A admissão foi feita recentemente pelo Governo moçambicano, que identificou a escassez prolongada de divisas nos mercados cambiais e a falta de acesso regular a matérias-primas como os dois principais estrangulamentos ao crescimento da produção transformadora interna.

O diagnóstico foi apresentado pelo ministro da Economia, Basílio Muhate, no decorrer de uma visita de trabalho à província de Nampula destinada a avaliar o ambiente empresarial e a operacionalidade de grandes unidades industriais no norte do país. O governante alertou para a trajectória de abrandamento observada no sector nos últimos tempos, apontando a urgência de articular estratégias concertadas entre os poderes públicos e o empresariado privado.

Gargalos Estruturais no Tecido Fabril

Durante a deslocação às instalações do Grupo de Empresas Nurmamad (GEIN), no posto administrativo de Netia, distrito de Monapo, as autoridades constataram a dimensão prática destes constrangimentos. A infra-estrutura em causa, que emprega cerca de 300 trabalhadores nacionais e estrangeiros, detém capacidade instalada para produzir diariamente 600 toneladas de óleo alimentar e 300 toneladas de sabão. Contudo, a escassez de matérias-primas no mercado doméstico e as barreiras cambiais à importação de insumos essenciais limitam o pleno aproveitamento da linha de montagem.

“O decréscimo da produção industrial preocupa-nos. Há uma série de acções que precisamos de levar a cabo, Governo e sector privado, no sentido de percebermos melhor o que está por detrás. Se for a questão relacionada com divisas, obviamente que se está a importar muito mais do que se pensava”, frisou o ministro da Economia.

Adicionar Valor Para Travar a Fuga de Recursos

O Executivo enfatizou que a superação deste cenário exige uma mudança profunda no modelo económico, incentivando a transformação local de produtos agrícolas e minerais em vez da comercialização de mercadorias não processadas. A exportação de bens em bruto priva o país da criação de postos de trabalho qualificados e acentua a dependência de produtos acabados estrangeiros, gerando uma pressão acrescida sobre as reservas líquidas.

Entre as prioridades delineadas para reverter a tendência de decréscimo fabril destacam-se:

  • Fomento da produção agrícola e de base: canalizar culturas locais directamente para abastecer complexos industriais transformadores;
  • Gestão cambial direccionada: monitorizar os fluxos de importação para garantir previsibilidade na disponibilização de moeda estrangeira à indústria;
  • Consolidação de pólos regionais: capitalizar o potencial económico de províncias estratégicas como Nampula para atrair capitais e reforçar a autossuficiência.

O Governo garantiu manter o foco na desregulamentação e na simplificação do ambiente de negócios, elementos fundamentais para que as fábricas moçambicanas recuperem o fôlego e estabilizem o fornecimento de bens essenciais aos consumidores.

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