TECNOLOGIA

Nasa e IBM Lançam IA em Código Aberto Para Explorar a Lua

Nasa e IBM Lançam IA em Código Aberto Para Explorar a Lua

Num dos passos mais ambiciosos para a intersecção entre a ciência aeroespacial e a inteligência artificial, a Nasa e a IBM Research anunciaram o lançamento do NASA-IBM Lunar Foundation Model. Trata-se do primeiro modelo fundacional de IA em código aberto concebido exclusivamente para desvendar os segredos geológicos do relevo lunar e acelerar os planos de missões espaciais tripuladas.

A tecnologia foi disponibilizada gratuitamente na plataforma Hugging Face, acompanhada por uma base de dados científica sem precedentes. O projecto pretende resolver um dos maiores desafios da astronomia moderna: decifrar petabytes de dados acumulados ao longo de décadas que, de outro modo, levariam anos de inspecção humana ou exigiriam algoritmos limitados e fragmentados.

Um cérebro digital treinado com décadas de exploração

Para construir a arquitetura do novo sistema, os especialistas alimentaram a rede neural com mais de dois milhões de recortes geográficos obtidos por nove instrumentos científicos distintos distribuídos por quatro missões históricas, com foco central no Lunar Reconnaissance Orbiter (LRO).

Ao contrário dos sistemas tradicionais de aprendizagem automática, treinados apenas para responder a perguntas isoladas, o novo modelo fundacional opera como uma base versátil e adaptável. Entre as suas principais frentes de atuação, destacam-se:

  • Detecção de gelo lunar: rastreia áreas permanentemente sombreadas nas crateras polares onde depósitos congelados podem conter água e oxigénio essenciais;
  • Mapeamento de crateras: cataloga formações de pequena escala e terrenos acidentados, cruciais para orientar rotas de rovers e áreas seguras de descida;
  • Identificação de vulcanismo antigo: analisa formações geológicas raras que explicam a evolução térmica do satélite natural.

Precisão inédita na busca por água congelada

Um dos feitos mais impressionantes registados durante os testes do sistema foi a redução de até 23% na margem de erro na identificação de reservatórios de gelo polar quando comparado com modelos visuais genéricos convencionais. A presença de água na Lua é o recurso mais cobiçado pelas futuras missões Artemis, uma vez que a molécula permite sustentar astronautas e ser decomposta em hidrogénio e oxigénio líquidos para alimentar foguetões em viagens rumo a Marte.

“A Nasa passou décadas a construir um registo científico extraordinário da Lua, mas recolher dados é apenas parte do trabalho. Precisamos de torná-los fáceis de explorar e utilizar”, destacou Kevin Murphy, responsável de dados científicos e IA da agência espacial americana.

Ciência aberta ao alcance de pesquisadores de todo o mundo

Graças ao modelo de adaptação leve implementado pela equipa (técnica conhecida como LoRA), cerca de 90% dos parâmetros centrais da IA permanecem protegidos, permitindo que investigadores independentes em qualquer país personalizem a ferramenta em computadores padrão sem exigir infraestruturas dispendiosas.

Ao transformar um oceano de dados brutos numa plataforma pública, a parceria abre caminho para que universidades, centros de pesquisa e entusiastas espaciais contribuam diretamente para a cartografia da próxima fronteira da humanidade.

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