Moçambique Prioriza Água Potável no Norte com Novos Sistemas
O acesso a um dos recursos mais vitais para a dignidade e a saúde comunitária acaba de ganhar um impulso decisivo em Moçambique. O Executivo moçambicano definiu como prioridade estratégica imediata a expansão do abastecimento de água potável na região norte do território nacional, acelerando a abertura de furos artesianos, a instalação de bombas manuais e a consolidação de redes comunitárias destinadas a aliviar a carência hídrica nas zonas rurais.
O anúncio oficial teve lugar durante a abertura da Reunião Nacional de Alinhamento Institucional sobre o Novo Quadro do Setor de Abastecimento de Água e Saneamento, realizada em Maputo. O encontro, coordenado pela Autoridade Reguladora de Águas e Saneamento (AURA), reuniu decisores públicos e entidades reguladoras para consolidar reformas estruturantes e estabelecer diretrizes operacionais de resposta às necessidades da população.
Desafios sazonais e resposta às carências locais
Durante a intervenção perante os quadros do setor, o ministro das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos, Fernando Rafael, sublinhou que a meta de alargar a cobertura abrange todo o país, mas que o norte apresenta vulnerabilidades particulares que exigem atenção redobrada. Segundo o governante, é precisamente nessa zona que se concentram as maiores dificuldades de abastecimento, nomeadamente no intervalo crítico entre os meses de setembro e dezembro.
Para inverter esse quadro e proteger a subsistência das populações mais isoladas, o plano de intervenção aposta na descentralização e no reforço imediato de infraestruturas comunitárias. Entre os eixos centrais definidos para os próximos meses, destacam-se:
- Perfuração de novos furos: alargamento das captações subterrâneas em povoados com défice crónico de água potável;
- Instalação de bombas manuais: disponibilização de mecanismos práticos e de fácil operação para a população rural;
- Sistemas de abastecimento integrados: montagem de redes de distribuição estruturadas em aglomerados populacionais estratégicos;
- Mapeamento patrimonial: levantamento pormenorizado do estado de conservação dos ativos hídricos e das necessidades de reabilitação.
O alcance social da estratégia ProÁguas
Estas medidas concretas enquadram-se nas diretrizes do ProÁguas, o Compacto Nacional de Segurança Hídrica 2026-2036, concebido para transformar a paisagem sanitária moçambicana na próxima década. O objetivo essencial é afastar o consumo de fontes fluviais e poços desprotegidos, reduzindo significativamente a prevalência de doenças de transmissão hídrica que afetam recorrentemente crianças e idosos.
O impacto da expansão das fontes de água estende-se igualmente à dinâmica social e económica das famílias rurais. A redução da distância necessária para recolher água alivia o fardo diário que recai sobretudo sobre as mulheres e os jovens em idade escolar, permitindo maior dedicação aos estudos e a iniciativas produtivas locais.
“Esta estratégia do ProÁguas pretende também priorizar estas regiões, onde vamos criar condições para termos mais sistemas de abastecimento, mais furos e mais meios, como bombas manuais, para que a população rural possa beneficiar de mais água potável para consumo”, enfatizou Fernando Rafael.
Fortalecimento institucional e sustentabilidade
Além da entrega de novas infraestruturas, a reunião organizada pela AURA serviu para afinar os mecanismos de governação entre o governo central e as administrações provinciais. As autoridades pretendem garantir que a transição e a manutenção dos equipamentos decorram com transparência, assegurando apoio técnico continuado e sustentabilidade a longo prazo para cada sistema implantado. Com este plano, Moçambique reforça um pilar elementar da coesão social, aproximando comunidades vulneráveis de um serviço básico indispensável ao desenvolvimento humano.
