Cúpula do BRICS Encerra em Nova Délhi com Defesa do Livre Comércio
A 18ª Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do BRICS chegou ao término na capital indiana, Nova Délhi, com a consolidação de uma frente diplomática em defesa do multilateralismo aberto e de reformas urgentes na arquitetura financeira e política do planeta. Sob o lema voltado à resiliência, inovação e sustentabilidade, o encontro reuniu líderes e representantes das nações integrantes e associadas em torno de discussões decisivas para o futuro das relações internacionais.
O encerramento dos trabalhos foi marcado pela aprovação consensual da Declaração de Nova Délhi, um documento abrangente que sintetiza a visão do grupo perante as recentes tensões geopolíticas e comerciais que afetam as cadeias de abastecimento mundiais. A mensagem central dos países participantes enfatiza que a fragmentação da economia global e a imposição de barreiras protecionistas ameaçam a estabilidade e o crescimento equilibrado de todas as regiões.
Rejeição ao protecionismo e estímulo a moedas locais
No cerne da declaração conjunta, os membros do bloco criticaram formalmente a proliferação de tarifas alfandegárias unilaterais e sanções econômicas que violam as regras do direito internacional e do comércio baseado em normas. Diante de pressões inflacionárias e incertezas tarifárias, o grupo reforçou a determinação de intensificar os fluxos de intercâmbio comercial e de investimento direto utilizando as respectivas moedas locais, contornando custos cambiais adicionais e dependências externas excessivas.
Entre os compromissos prioritários firmados no comunicado final de Nova Délhi, destacam-se diretrizes estratégicas para os próximos anos:
- Preservação do livre comércio: repúdio a entraves protecionistas arbitrários e defesa de um sistema multilateral justo, transparente e inclusivo;
- Integração financeira: apoio ao aperfeiçoamento de sistemas internacionais de pagamentos transfronteiriços mais ágeis, modernos e resilientes;
- Inovação responsável: fomento à cooperação tecnológica em inteligência artificial, conectividade e infraestrutura digital;
- Agenda ambiental e social: fortalecimento de iniciativas conjuntas em segurança alimentar, saúde pública e adaptação climática.
Reivindicação por representatividade na governança global
Outro ponto de forte convergência ao longo das sessões plenárias foi a exigência contínua por transformações estruturais nas grandes instituições criadas no pós-guerra. O comunicado reafirmou a necessidade inadiável de ampliar a voz dos países do Sul Global no Conselho de Segurança das Nações Unidas, bem como nos mecanismos decisórios do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, para que estes órgãos reflitam a dinâmica demográfica e econômica do século XXI.
O texto aprovado sublinha que o verdadeiro multilateralismo depende da descentralização decisória e da participação equitativa das economias em desenvolvimento nos rumos da política internacional.
No plano humanitário e de segurança, a cúpula abordou ainda a imperatividade de soluções diplomáticas para conflitos armados no Oriente Médio, apelando pela manutenção de cessar-fogos, respeito aos civis e garantia irrestrita de corredores humanitários. Ao final das atividades, após a formalização de dezenas de acordos temáticos de cooperação, a presidência rotativa do grupo foi transferida da Índia para a China, que conduzirá os trabalhos do bloco a partir do próximo ciclo de negociações.
