Brics Condena Tarifas e Avança no Uso de Moedas Locais
O cenário geopolítico e económico internacional registou uma viragem significativa com as resoluções alcançadas na 18ª Cúpula do Brics, realizada em Nova Déli. Em resposta direta às crescentes barreiras protecionistas e à proliferação de medidas punitivas no comércio multilateral, os líderes das economias emergentes aprovaram a Declaração de Nova Déli, um documento estratégico composto por 140 pontos que delineia novas diretrizes para a governança financeira, soberania industrial e cooperação tecnológica.
Frente Comum Contra Barreiras Comerciais
O documento conjunto aprovado pelas lideranças aponta expressamente que o comércio internacional atingiu uma conjuntura crítica. Ao condenarem a aplicação de tarifas alfandegárias arbitrárias e restrições não tarifárias unilaterais, os membros do bloco sublinharam que medidas fragmentadas prejudicam as cadeias globais de abastecimento, desaceleram o crescimento económico e sobrecarregam sobretudo os países em desenvolvimento.
Para contrabalançar as vulnerabilidades decorrentes de um ecossistema financeiro internacional concentrado, o grupo decidiu aprofundar de forma coordenada a utilização de divisas nacionais nas liquidações de comércio bilateral e em investimentos mútuos. Essa medida visa reduzir custos transacionais, conter a volatilidade cambial e expandir canais alternativos de liquidez.
“O sistema multilateral de comércio chegou a uma encruzilhada crítica”, destaca o documento oficial aprovado pelos governantes.
Soberania Sobre Minerais Críticos e Transição Energética
A segurança de recursos estratégicos emergiu como um dos eixos mais debatidos da cimeira. Com o aumento da procura global por lítio, níquel, cobalto e outros insumos vitais para baterias e infraestrutura digital, a declaração estabeleceu diretrizes claras sobre a gestão sustentável dessas matérias-primas:
- Valor agregado local: incentivo à industrialização interna e processamento dos minérios nos países de extração, impedindo a simples exportação primária desvalorizada.
- Transição justa e inclusiva: equilíbrio entre a expansão de energias renováveis e o aproveitamento pragmático de fontes convencionais para sustentar o desenvolvimento de emergentes.
- Segurança nas cadeias produtivas: proteção das rotas de fornecimento frente a bloqueios ou imposições comerciais unilaterais.
Inclusão na Inteligência Artificial e Reformas Multilaterais
O avanço das tecnologias digitais de fronteira também ocupou papel de primeiro plano nas deliberações em Nova Déli. O bloco manifestou apreensão com o risco de monopólio tecnocientífico e defendeu que os benefícios da inteligência artificial não podem ficar confinados a um pequeno conjunto de países desenvolvidos. O texto consagra a cooperação internacional para expandir o acesso do Sul Global à computação avançada, garantindo protocolos éticos, segurança de dados e eficiência energética.
Por fim, a declaração reiterou o apelo inequívoco para a modernização urgente dos pilares da ordem internacional, exigindo ampliação de representatividade para as nações emergentes nas quotas e tomadas de decisão do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. O posicionamento do grupo reforça uma trajetória concertada de autonomia financeira, reafirmando o peso do bloco na reformulação do equilíbrio global.
