Paz, confiança e reformas estruturais dominam o debate no primeiro dia da conferência

O compromisso: transformar o potencial do país em resultados reais para a economia nacional
O Governo de Moçambique e a Confederação das Associações Económicas (CTA) uniram forças na XXI edição da Conferência Anual do Sector Privado (CASP 2026), em Maputo, para definir um roteiro claro: paz, confiança e competitividade. Num momento em que o país busca acelerar a sua industrialização, o encontro sublinhou a urgência de reformas que facilitem o investimento e devolvam o dinamismo às empresas nacionais.
O pilar inegociável: Paz e segurança para investir
O Chefe de Estado, Daniel Chapo, não deixou margem para dúvidas durante a abertura: a estabilidade é a base de tudo. “Não há nenhum país no mundo que se desenvolva sem paz e segurança”, afirmou, reforçando que o combate à criminalidade — especialmente o flagelo dos raptos que tanto afetou o tecido empresarial — é prioridade máxima deste ciclo governativo.
Para o sector privado, esta mensagem é vital. O presidente da CTA, Álvaro Massingue, reforçou que a confiança dos investidores depende da previsibilidade das políticas públicas. Em cima da mesa, está um pedido claro: um Estado que “apita” as regras do jogo, mas que não tenta jogar em campo, permitindo que as empresas tenham a agilidade necessária para produzir e competir.
Reformas e digitalização: O caminho para a eficiência
Um dos temas fortes do dia foi a modernização do Estado. O Governo reiterou a aposta na digitalização e na simplificação de procedimentos para cortar a burocracia que trava o dia-a-dia de quem empreende. O objetivo é criar um ambiente onde a carga administrativa não seja um obstáculo ao crescimento.
A CTA aproveitou a ocasião para colocar o dedo na ferida: a multiplicação de taxas, a escassez de divisas e os reembolsos pendentes do IVA ainda limitam a liquidez das empresas. A mensagem dos empresários foi pragmática: o desenvolvimento sustentável não virá do aumento da pressão fiscal, mas da eficiência estatal e do crescimento da própria economia, permitindo a expansão natural da base tributária.
Com o potencial de recursos naturais e uma localização estratégica privilegiada, Moçambique está pronto para dar o próximo passo? O debate na CASP 2026 mostra que o caminho está traçado, mas o sucesso dependerá da rapidez com que estes compromissos se transformarão em reformas tangíveis.
O que pensa sobre estes desafios? Acha que a digitalização do Estado será suficiente para atrair o investimento que Moçambique precisa? Partilhe a sua visão sobre o futuro económico do nosso país.
