
Sempre que encosta o carro ou o chapa numa bomba de abastecimento para atestar o depósito, a pergunta é inevitável: afinal, por que razão o combustível custa o que custa? Em Moçambique, a Autoridade Reguladora de Energia (ARENE) dita as regras do jogo, mas o valor final que sai da sua carteira é uma autêntica “macedônia” de taxas, custos de importação e margens de lucro divididas por vários intervenientes.
A anatomia do preço: Onde é distribuído o seu dinheiro?
Para entender a rota do seu dinheiro, imagine que cada litro de combustível é uma fatia de bolo dividida rigorosamente entre o mercado internacional, o Estado e as empresas privadas. O preço final não é decidido ao acaso e obedece a uma fórmula de cálculo complexa que inclui os seguintes componentes essenciais:
Custo de Importação (FOB/CIF): É o valor de compra do produto refinado no mercado internacional, somado ao custo de transporte marítimo e seguro até aos portos de Maputo, Beira ou Nacala. Esta é, normalmente, a maior fatia do bolo.
Margem dos Distribuidores e Retalhistas: É a parte que garante a sobrevivência das gasolineiras e dos donos dos postos de abastecimento, cobrindo os custos de operação, salários dos frentistas e manutenção das bombas.
Impostos e Direitos Aduaneiros: O Estado cobra taxas alfandegárias e direitos de importação sobre cada gota de combustível que entra em território nacional.

As taxas invisíveis que pesam na carteira
Além do custo de transporte e do lucro das empresas, o preço do combustível em Moçambique carrega taxas específicas que muitos condutores desconhecem:
O Imposto sobre Combustíveis
Este imposto é cobrado diretamente ao consumidor e reverte para cofres específicos do Estado. Grande parte deste valor é canalizada para o Fundo de Estradas, servindo teoricamente para a manutenção, reabilitação e construção de vias de circulação rodoviária por todo o país.
Taxas Portuárias e de Logística
Descarregar combustível nos portos nacionais envolve custos pesados de manuseamento, taxas de armazenamento temporário em tanques de grande capacidade e taxas de desenvolvimento portuário. Toda esta logística de receção é adicionada ao preço final que encontra na bomba.
O impacto no “chapa” e no bolso do moçambicano
O comportamento do preço do combustível em Moçambique dita o ritmo de quase tudo o que consome. Quando o gasóleo sobe, o impacto é imediato no preço do frete de mercadorias e, inevitavelmente, na tarifa do chapa ou do machimbombo que transporta milhares de trabalhadores diariamente.
Como Moçambique não refina petróleo e importa a totalidade do produto consumido, a economia nacional fica altamente exposta à valorização do dólar e às tensões geopolíticas globais. Qualquer “espirro” no mercado internacional faz com que o bolso do cidadão comum sinta dores em Maputo, Nampula ou Sofala.
A transparência no cálculo das tarifas de energia é fundamental para compreender as dinâmicas econômicas que afetam o nosso dia a dia. Como avalia o equilíbrio entre as taxas cobradas pelo Estado e o serviço que recebe de volta nas estradas nacionais?
