Portugal é o país europeu com maior apoio a contrair dívida para financiar Defesa
Portugal é o país europeu que mais apoiaria contrair dívida para financiar a Defesa e onde mais aumentou o apoio popular ao investimento nesse sector desde 2025, segundo uma sondagem divulgada nesta quarta-feira.Numa sondagem divulgada pelo European Council on Foreign Relations (ECFR) realizada em 15 países europeus, Portugal surge como o país que mais aceitaria assumir dívida comum para financiar a Defesa, com 59% dos inquiridos a apoiarem esta proposta, colocando o país à frente de outros como a Dinamarca (56%), Países Baixos (55%) ou Espanha (53%).A sondagem, que analisa a opinião pública dos europeus face à garantia de segurança dos EUA, à guerra na Ucrânia e à autonomia em matéria de segurança e defesa, aponta que, em termos gerais, os portugueses são os que mais apoiariam um aumento do orçamento da Defesa para reduzir a dependência face aos EUA.Em 2025, cerca de 26% dos portugueses inquiridos apoiavam este aumento orçamental, mas o valor passou para 42% neste ano, colocando Portugal muito acima da média (que passou de 18% para 22% em 2026), a par da Dinamarca (42%) e apenas atrás do Reino Unido (43%) e da Polónia, que passou dos 51% para os 59%.Segundo a sondagem, a maioria dos europeus deseja reduzir a sua dependência dos EUA em matéria de segurança e apenas na Polónia é que a maioria dos eleitores “considera uma boa ideia adquirir mais armamento norte-americano”.O responsável pelas sondagens do ECFR, Pawel Zerka, afirmou que a sondagem demonstrou que, “num contexto de críticas e comportamento agressivo da administração [do Presidente norte-americano, Donald] Trump”, os europeus “tornaram-se cada vez mais pragmáticos em relação à sua própria segurança”.Portugal é também um dos países que mais apoia o envio de tropas nacionais para uma missão de paz na Ucrânia após o fim do conflito, surgindo em quarto com 53%, apenas atrás da Suécia (61%), Espanha (55%) e da Dinamarca (54%), contrastando com a maioria dos cidadãos dos outros países que se opõem a essa possibilidade.Os portugueses (50%) também são os que mais apoiam a ideia de alargamento de União Europeia (UE) para leste, incluindo a Ucrânia, seguidos pela Espanha (43%) e Suécia (42%). Portugal é dos países com uma opinião positiva de Kiev, com 37% dos portugueses a encararem a Ucrânia como um “aliado” e 35% como um “parceiro necessário”.
Só 29% querem alternativa à NATOA maneira como os portugueses olham para os Estados Unidos e a Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, também acompanhou a média europeia, com 58% dos inquiridos a referirem que acreditam que as relações vão melhorar com Washington após a saída de Trump da Casa Branca.A co-autora da sondagem e directora do Programa de Segurança Europeia, Jana Kobzova, defendeu que em todo o continente europeu se registou um “apoio claro à redução da dependência de Washington”.”Os europeus estão cada vez mais abertos a um aumento da despesa em defesa e, crucialmente, demonstram um nível notável de confiança de que os países vizinhos viriam em seu auxílio numa crise. A nossa investigação também mostra que, embora os europeus continuem a apoiar a Ucrânia, no contexto actual não existe um consenso público para a adesão do país à UE”, adiantou.Quanto à NATO, apenas 29% de todos os inquiridos nestes 15 países seriam a favor de uma organização de defesa alternativa à Aliança Atlântica, mas, entre os favoráveis, Portugal lidera: 38% dos portugueses consideram uma ideia “muito boa” ou “boa” a criação de uma organização de defesa alternativa à NATO, seguidos pelos espanhóis (37%), suecos (35%) e italianos (35%).No que diz respeito à energia, 47% dos portugueses defenderam que seria uma “má ideia” retomar as importações da Rússia e apenas 17% defenderiam o regresso das importações.Foram inquiridos mais de 18.000 cidadãos com idade superior a 18 anos da Áustria, Bulgária, Dinamarca, Estónia, França, Alemanha, Hungria, Itália, Países Baixos, Polónia, Portugal, Espanha, Suécia, Suíça e Reino Unido. Em Portugal foram inquiridas 1003 pessoas entre 1 e 19 de Maio, tendo o estudo uma margem de erro de 4,19%.



Publicar comentário