Carros em chamas e vias cortadas: Protestos após esfaqueamento em Belfast

Carros em chamas e vias cortadas: Protestos após esfaqueamento em Belfast

Carros em chamas e vias cortadas: Protestos após esfaqueamento em Belfast


De acordo com a agência de notícias francesa AFP, habitantes de Belfast já tiveram de ser retirados de um edifício incendiado.

Centenas de manifestantes, em grande parte com o rosto coberto, reuniram-se em vários pontos de Belfast, constataram jornalistas da AFP no local.
Um autocarro e vários carros foram incendiados, e um edifício na periferia do centro da cidade está parcialmente em chamas, relata a AFP.
“Focos esporádicos de distúrbios irromperam esta noite em vários pontos da Irlanda do Norte, com incidentes durante os quais vários veículos foram incendiados”, declarou o comissário-adjunto da polícia norte-irlandesa, Ryan Henderson, antes de voltar a apelar à calma.
Mais de 100 pessoas estão reunidas na Newtownards Road, uma área unionista na periferia do centro da cidade de Belfast, refere a BBC News, relatando que contentores de lixo também estão a ser incendiados no meio da estrada.
Segundo este meio, muitos dos manifestantes são jovens e alguns estão mascarados ou usam capuzes, acenando com sinalizadores.
Os polícias bloquearam ambos os extremos da estrada, mas uma linha de agentes que aguardava afastada do grupo, acabou de se afastar.
Segundo a BBC, os manifestantes também se reuniram em Antrim, a 25 quilómetros a oeste de Belfast.
A polícia da Irlanda do Norte e as autoridades britânicas multiplicaram os apelos à calma, após este ataque, cujo vídeo provocou uma onda de choque no país.
Mas, a partir das 19:00 (18:00 GMT), centenas de manifestantes, muitos com o rosto coberto, começaram a reunir-se em diversos pontos da capital da Irlanda do Norte.
O fumo elevava-se de vários pontos da cidade, sobrevoada por helicópteros da polícia, constataram jornalistas da agência noticiosa francesa AFP no local.
A polícia deteve um sudanês por alegadamente ter sido o autor de um esfaqueamento ocorrido num bairro residencial de Belfast.
O caso atraiu a atenção nacional devido à divulgação online de vídeos explícitos do ataque e o envolvimento de um imigrante, o que levou a críticas de alguns partidos políticos. 
A polícia informou que a vítima foi levada para o hospital na noite de segunda-feira com ferimentos graves no rosto, pescoço e costas. 
Segundo as autoridades, o alegado autor, na casa dos 30 anos, foi detido por suspeita de tentativa de homicídio e permanece sob custódia após ter sido encontrada uma faca de cozinha no local.
A polícia está a tentar determinar o motivo, mas não havia informações que sugerissem que o ataque estivesse relacionado com terrorismo, disse Ryan Henderson, subcomissário-chefe do Serviço de Polícia da Irlanda do Norte. 
O responsável acrescentou que a polícia não procurava mais ninguém ligado ao ataque.
O ministro para a Irlanda do Norte, Hilary Benn, afirmou que não podia confirmar se o alegado agressor tinha entrado ilegalmente no país. 
“Todos nós temos agora a responsabilidade de apelar à calma e deixar a polícia fazer o seu trabalho”, vincou.
Henderson indicou que o suspeito teria autorização de residência no Reino Unido, mas admitiu que “este ataque brutal causou uma onda de choque na comunidade, gerando uma preocupação real”, afirmou.
O deputado Gavin Robinson, líder do Partido Unionista Democrático, o principal partido pró britânico na Irlanda do Norte, adiantou que o autor do crime vivia no Reino Unido com um visto de cinco anos e defendeu o fim da “imigração descontrolada”.
“O que já foi testemunhado por milhares de pessoas em todo o país não pode ser esquecido. Foi algo digno da Idade Média – a mutilação sistemática e a tentativa de homicídio de um cidadão de Belfast nas nossas ruas”, denunciou.
Mesmo assim, Robinson subscreveu um comunicado conjunto com outros partidos políticos da Irlanda do Norte com um “apelo à calma e a que se dê espaço para que a justiça siga o seu curso”.
Questionada sobre o incidente, a líder do Partido Conservador, Kemi Badenoch disse que “muitas pessoas vão começar a questionar-se, mais uma vez: será que esta é uma pessoa que não deveria estar no nosso país? Haverá falhas nas nossas fronteiras?”
“Isto é mais um aviso de que precisamos de fronteiras mais fortes”, alegou.
Pode ver imagens destes protestos na nossa galeria.

O homem detido por tentar “decapitar” um desconhecido numa rua de Belfast é um cidadão sudanês com cerca de 30 anos e autorização de residência de cinco anos. A polícia afastou, para já, ligações a terrorismo e confirmou que a vítima sofreu ferimentos graves na face e nas costas.
Márcia Guímaro Rodrigues | 17:05 – 09/06/2026

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