Mais de um ano depois, Ana Paula conseguiu uma casa em Loures
A são-tomense Ana Paula dos Santos, de 39 anos e mãe de quatro filhos, que há mais de um ano esperava por uma habitação, obteve uma casa municipal na Quinta do Mocho, no concelho de Loures. A novidade foi dada à Lusa pela própria no dia 22 de Abril, mas ainda faltava assinar o contrato de arrendamento, o que só aconteceu há dias.Em Março passado, Ana Paula estava a viver há um ano com as filhas, de 20, 11 e 6 anos, e o filho de um ano entre uma pensão e um centro de alojamento de emergência social.No final da gravidez, Ana Paula deu uma entrevista à Lusa à porta da Maternidade Alfredo da Costa, a 14 de Março de 2025, para dizer que temia que lhe tirassem o filho que estava prestes a ter, porque vivia numa pensão da Segurança Social, depois de ter sido alvo de despejo no Talude Militar, bairro autoconstruído no concelho de Loures, onde a câmara local tem feito demolições e despejos regulares.Antes de viver no Talude Militar, Ana Paula foi inquilina de papel passado. Por uma casa pequena, com baratas e humidade, pagava 410 euros, quase metade do salário mínimo que recebe enquanto auxiliar efectiva num lar de idosos. Mas, depois, a renda aumentou e tornou-se incomportável, acabando por se juntar a pessoas conhecidas no Talude Militar.O caso teve repercussão e Ana Paula, já com o filho recém-nascido, foi acolhida numa pensão da Segurança Social, durante alguns meses e transferida em Setembro passado para um centro de alojamento de emergência social – num só quarto, com casa de banho partilhada e sem poder cozinhar –, enquanto continuava na lista de espera para uma habitação social em Loures.Há mais de dez anos em Portugal, Ana Paula vive agora com os quatro filhos num apartamento com quatro quartos na Quinta do Mocho.”É no concelho de Loures, onde as crianças estudam. O mais importante é estar grata, estou grata por isso”, diz, agradecendo à câmara municipal, que lhe atribuiu a casa, e também às associações que a apoiaram, bem como à população que assinou uma petição sobre o seu caso.Mas não esquece o quão “difícil” foi chegar até aqui.”Foi uma luta bem grande, foi muito aperto. Não é fácil, não é fácil. É muita humilhação também. Não é fácil hoje em dia conseguir uma casa e a maneira como apertavam, a maneira como falavam, as palavras que falavam para a pessoa”, desabafa, contando que o processo foi tão “pesado” que ainda está a tomar comprimidos para a depressão.



Publicar comentário