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Comparou Itália a "chinelo". Declarações de Ben Gvir "indignas", diz MNE

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“Não tenho palavras para comentar o que Ben Gvir disse [na segunda-feira] sobre a Itália, depois de saber que estava a ser investigado pelo Ministério Público. São palavras inaceitáveis que reenviamos ao remetente. Não são dignas de um ministro”, comentou hoje Tajani perante as comissões parlamentares dos Negócios Estrangeiros e de Defesa da Câmara dos Deputados e do Senado, em Roma.

O ministro dos Negócios Estrangeiros e vice-primeiro-ministro do Governo liderado por Giorgia Meloni acrescentou que “a Itália é um país amigo de Israel, que sempre defendeu a liberdade e a democracia”, mas que “rejeita categoricamente qualquer ofensa ou tentativa de denegrição”.
“As palavras de Ben Gvir demonstram o nível político e moral deste senhor”, completou Antonio Tajani.
Após ter tomado conhecimento, na segunda-feira, de que está a ser investigado em Roma devido à humilhação pública, filmada por ele próprio, de ativistas da flotilha ‘Global Sumud’ para Gaza, detidos no porto israelita de Ashdod no mês passado, o ministro da Segurança de Israel afirmou, numa publicação na rede social X, que “a terra da bota tornou-se a terra do chinelo”.
A procuradoria de Roma anunciou na segunda-feira à noite que está a investigar o ministro da Segurança israelita por suspeita de captura de ativistas da flotilha humanitária Global Sumud, intercetada em águas internacionais pelas forças israelitas quando se dirigia para Gaza.
A decisão da justiça da capital italiana foi tomada após uma queixa apresentada pelos próprios ativistas, quando regressaram de Israel, para onde foram levados contra a sua vontade.
Os ativistas alegam, em concreto, ter sido raptados e sujeitos a tortura, incluindo violência sexual.
A investigação considera possíveis crimes de tortura, sequestro, danos resultantes de naufrágio e roubo.
O Ministério Público e os ‘carabinieri’ (polícia militarizada) já recolheram depoimentos de vários participantes na missão de solidariedade pró-Palestina, tendo sido também anexado ao processo um vídeo publicado nas redes sociais pelo próprio Ben Gvir, que mostra o ministro a caminhar entre os ativistas algemados e ajoelhados no porto de Ashdod, enquanto os humilha.
Durante a audição parlamentar de hoje em Roma, na qual participa também o ministro da Defesa, Guido Crosetto, o ministro dos Negócios Estrangeiros italiano recordou que, “após os atos inaceitáveis” cometidos contra os ativistas da flotilha ‘Global Sumud’, solicitou à Alta Representante da União Europeia para a Política Extrerna, Kaja Kallas, que apresentasse ao Conselho de Negócios Estrangeiros uma proposta de sanções contra o ministro Ben-Gvir, “responsável político por aquele grave episódio”.
“Muitos países acolheram favoravelmente a nossa proposta, a começar pela França e, por exemplo, o ministro dos Negócios Estrangeiros neerlandês, com quem me encontrei ontem”, indicou Tajani.
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