Líbano pede a Israel para poupar património da humanidade de Tiro

Líbano pede a Israel para poupar património da humanidade de Tiro

Líbano pede a Israel para poupar património da humanidade de Tiro


“Lanço um apelo para evitar visar os sítios arqueológicos do país, (…) em particular as ruínas de Tiro, que fazem parte do património comum da humanidade”, declarou Ghassan Salamé, citado pela agência de notícias France-Presse (AFP).

Situada a cerca de 20 quilómetros da fronteira com Israel, Tiro, uma das cidades mais antigas do mundo mediterrânico, está inscrita no Património Mundial da UNESCO desde 1984, com dois sítios protegidos.
A cidade é alvo de uma campanha de ataques israelitas desde o início da guerra com o Hezbollah, em 02 de março.
O exército israelita emitiu uma ordem de evacuação no domingo para uma zona que inclui um dos dois locais protegidos, composto por vestígios romanos, antes de realizar os ataques.
O diretor dos sítios arqueológicos no sul do Líbano, Ali Badaoui, disse que os ataques de domingo causaram “o maior dano ao sítio desde o início da guerra”.
Jornalistas da AFP viram uma parte da zona próxima das colunas antigas coberta de detritos, fragmentos de metal torcido e ramos de árvores partidos.
Escombros de betão e de metal estavam espalhados por uma escadaria de pedra que conduz ao interior da zona.
“A dimensão dos detritos e dos danos no sítio é significativa”, segundo Ali Badaoui.
Os ataques atingiram edifícios vizinhos e um deles afetou um gabinete administrativo, relatou.
“Alguns artefactos arqueológicos foram danificados quando os escombros os atingiram, uma vez que uma chuva de detritos caiu sobre um vasto perímetro”, afetando “colunas, capitéis, bases de colunas e mosaicos”, afirmou.
O ministro Ghassan Salamé disse que as autoridades vão avaliar os danos “assim que ocorra um cessar-fogo” ou que possam ter acesso às ruínas sem colocar em perigo a vida dos arqueólogos.
Salamé acusou Israel de não respeitar a Convenção de Haia, que obriga à preservação dos bens culturais em caso de conflito armado.
Disse também que Israel não respeita os “Escudos Azuis”, um emblema simbólico criado por um comité ligado à UNESCO para proteger o sítio Tiro.
Desde uma guerra anterior entre Israel e o Hezbollah em 2023-2024, a UNESCO colocou mais de 70 sítios patrimoniais no Líbano, incluindo Tiro, sob “proteção reforçada provisória”.
O sítio de Tiro “é um sítio civil, um sítio inscrito no Património Mundial, não é absolutamente um sítio militar e não há qualquer atividade militar no local”, assegurou Badaoui.
O outro sítio protegido de Tiro, Al-Bass, também foi danificado desde o início da guerra, em 02 de março, acrescentou.
As zonas protegidas de Tiro contêm vestígios que abrangem os períodos fenício, romano, grego e das cruzadas.
Situada na costa do mar Mediterrâneo, a cerca de 80 quilómetros a sul de Beirute, Tiro é considerada uma das cidades mais antigas do mundo por haver registos de ser habitada há mais de 4.000 anos.
A atual ofensiva israelita no Líbano visa o Hezbollah, grupo xiita libanês apoiado pelo Irão, que atacou Israel em solidariedade com Teerão após o início da guerra israelo-americana contra a República Islâmica.
Com mais de 3.500 mortos, o Líbano é um dos países mais afetados pela nova guerra que atinge o Médio Oriente desde 28 de fevereiro, quando Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva conjunta contra o Irão.
Leia Também: Israel interceta três projéteis disparados desde o Líbano

Publicar comentário