Grécia acusa Chipre do Norte de interferir em voos de ministros da Defesa
Segundo informações divulgadas pelo semanário grego To Vima, citando fontes do Ministério da Defesa da República de Chipre, as interferências afetaram, em momentos distintos, os aviões que transportavam os ministros da Defesa da Grécia, França e Holanda, sem comprometer a segurança dos voos.
De acordo com a publicação, as interrupções atingiram inicialmente a aeronave que transportava os ministros franceses e neerlandeses, seguindo-se um incidente semelhante com o avião do ministro da Defesa grego, Nikos Dendias, além de outras aeronaves estatais que transportavam delegações europeias para a capital cipriota.
As alegadas interferências terão tido origem numa torre de controlo de tráfego aéreo não autorizada localizada no Aeroporto de Tymbou, na parte norte da ilha controlada pela RTNC, entidade reconhecida apenas pela Turquia.
A emissora pública grega ERT informou que a torre de controlo tentou estabelecer contacto com uma das aeronaves e orientá-la durante a aproximação.
Segundo o semanário To Vima, durante os incidentes dois caças turcos F-16 descolaram da zona de Tymbou e acompanharam à distância as rotas das aeronaves governamentais, sem se aproximarem diretamente.
Apesar dos relatos de interferência, todas as aeronaves concluíram os voos sem incidentes e aterraram em segurança em Nicósia.
Em resposta, o Governo turco afirmou que os F-16 foram mobilizados a título preventivo após a deteção de quatro aeronaves que alegadamente violaram o espaço aéreo da RTNC.
Num comunicado divulgado pelo Gabinete de Combate à Desinformação da Presidência turca, Ancara garantiu que os caças não violaram o espaço aéreo da República de Chipre nem assediaram qualquer aeronave, acusando os meios de comunicação gregos de procurarem manipular a opinião pública internacional e aumentar as tensões na região.
A ilha de Chipre permanece dividida desde 1974, após a intervenção militar turca no norte da ilha, desencadeada na sequência de um golpe de Estado apoiado pela então junta militar grega.
Desde então, o território encontra-se separado entre a República de Chipre e a República Turca do Norte de Chipre, enquanto as negociações para a reunificação permanecem suspensas desde 2017.
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