Cerca de 12,9 milhões de jovens estudantes chineses, segundo o Ministério da Educação chinês, começaram este domingo a fazer o “gaokao”, o temido exame nacional de admissão à universidade.Este exame altamente selectivo, que ocupa um lugar central na sociedade chinesa, determina o acesso às melhores universidades e, por extensão, as futuras oportunidades de carreira.O “gaokao” tem a duração de vários dias e inclui testes de Mandarim, Matemática, Inglês, Ciências e Humanidades. Os resultados serão anunciados no final de Junho.À porta de um centro de exames em Pequim, dezenas de polícias e seguranças mantinham a ordem enquanto os pais, de telemóveis na mão, esperavam filmar os filhos a entrar na sala de provas. Alguns estavam vestidos de vermelho, uma cor da sorte na cultura chinesa.”Estou um pouco ansioso”, admite Zhang Xinnan, de 18 anos, vestido de uniforme escolar, momentos antes do início dos exames. “Mas domino as coisas que precisava de saber”, acrescenta.
O ensino superior desenvolveu-se rapidamente na China nas últimas décadas, à medida que o desenvolvimento económico levou a uma melhoria dos padrões de vida, mas também a maiores expectativas dos pais em relação aos estudos e carreiras dos seus filhos.No entanto, o mercado de trabalho para jovens licenciados já não é tão promissor como antes, sendo a elevada taxa de desemprego jovem uma grande preocupação.De acordo com os dados oficiais, cerca de um em cada seis chineses entre os 16 e os 24 anos, excluindo os estudantes, está desempregado.
REUTERS/Tingshu Wang
As atitudes em relação aos exames estão a mudar, com os estudantes e os pais cada vez menos dispostos a sacrificar a saúde física e mental para obter bons resultados.”Sou bastante liberal”, diz Deng Ju, de 53 anos, segurando uma pilha de cadernos para a filha, que está a rever até ao último minuto com uma amiga. “Estou mais preocupada com a saúde física; o exame é apenas uma formalidade”, acrescenta.
