O grupo extremista Boko Haram libertou centenas de mulheres e crianças que tinham sido sequestradas no início deste ano em Ngoshe, uma aldeia no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria, avançaram neste domingo responsáveis locais citados pela Agence France-Press (AFP).O número exacto de pessoas libertadas, contudo, é incerto. Samaila Kaigama, presidente da organização juvenil Borno South Youth Alliance (Bosya), anunciou a libertação de 416 mulheres e crianças e, à AFP, Mohammed Ali Ndume, senador do Borno, confirmou o mesmo número. No entanto, a France 24, com base num comunicado das Forças Armadas nigerianas, noticia que houve uma operação de resgate militar que permitiu a libertação de 360 pessoas mantidas em cativeiro pelo Boko Haram.Não é, porém, claro se o comunicado se refere ao mesmo grupo de reféns mencionado pelos responsáveis locais, ainda que, o facto de as pessoas referidas na notícia da France 24 serem provenientes de várias comunidades da zona de Ngoshe, indicie tratar-se da mesma ocorrência. As circunstâncias em que ocorreu a libertação também permanecem desconhecidas. A Bosya, que terá servido de intermediária entre os sequestradores e as famílias das vítimas, não divulgou detalhes sobre o processo.Os sequestrados, avança a France 24, encontravam-se detidos em condições desumanas e as autoridades militares terão conduzido “operações psicológicas” para gerar desconfiança entre os membros do Boko Haram.Daniel Bwala, porta-voz do Presidente nigeriano, Bola Tinubu, revelou nas redes sociais que dois bebés morreram devido ao desgaste provocado pelo prolongado período de cativeiro em condições adversas.
MAJOR BREAKING NEWS FROM THE WAR FRONT Troops of Operation HADIN KAI have rescued 360 abductees from a JAS enclave in the Mandara Mountains following intelligence-driven operations in the North East. The victims are being evacuated and receiving medical care. Sadly, two infants… pic.twitter.com/SZnMo0eekX— D. H Bwala (@BwalaDaniel) June 7, 2026
O Boko Haram terá exigido milhões de nairas nigerianas (moeda local, em que um milhão equivale a 630 euros) em troca da libertação dos habitantes de Ngoshe. Embora as autoridades nigerianas neguem o pagamento de resgates, o procedimento é comum, quer seja pago pelo Estado, quer pelos familiares das vítimas. Um relatório da SBM Intelligence, sediada em Lagos, citado pela AFP, estima que os vários grupos armados activos na Nigéria tenham recebido cerca de 1,66 milhões de dólares (cerca de 1,44 milhões de euros) em resgates, entre Julho de 2024 e Junho de 2025.Ngoshe situa-se a menos de dez quilómetros da fronteira com os Camarões, numa área montanhosa de Gwoza, considerada um dos principais redutos do Boko Haram e frequentemente alvo de ataques dos combatentes islamistas.A insurreição iniciada pelo Boko Haram em 2009, à qual se juntou mais tarde o grupo rival Estado Islâmico na África Ocidental (ISWAP), já provocou dezenas de milhares de mortos e forçou milhões de pessoas a abandonar as suas casas no Nordeste da Nigéria.
