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Há jovens que decidem casar-se e ter filhos antes dos 30. “Foi no tempo certo”

Desde pequena que Mariana Martins sonhava com o dia do seu casamento e com o momento em que poderia começar a construir uma (nova) família. Aos 25 anos, quando estava numa relação há já uma década, decidiu concretizar esse desejo e casar-se, ainda que lhe dissessem que era muito nova para o fazer. Um ano depois, teve a primeira filha. Agora, aos 31, a jovem de Famalicão tem três filhos e o seu próprio salão de cabeleireira — e não hesita em dizer que só conseguiu criar esta vida por ter conseguido amealhar algum dinheiro quando esteve emigrada na Suíça e porque conta com o apoio da família. Se assim não fosse, sabe que teria sido bem mais difícil. “Não sinto que o país nos dê oportunidades. É mesmo muito difícil para nós enquanto jovens.”Mariana é uma excepção à regra: os jovens estão a ter filhos cada vez mais tarde (e cada vez menos), estão a casar-se mais tarde (quando casam) e, no meio de uma severa crise da habitação, têm mais dificuldade em conseguir casa própria, e acabam por sair de casa dos pais por volta dos 29 anos. “Há uma falta de condições estruturais” que impedem os jovens de conseguirem tomar as rédeas da sua independência, contextualiza o investigador Vitor Sérgio Ferreira. Este “adiamento” da transição para a vida adulta é evidente nos dados, mas o sociólogo vai ainda mais longe: “Está a acontecer uma reestruturação do que é a própria idade adulta.” Já lá vamos.Numa altura em que o Governo quer passar a considerar que se é jovem até aos 35 anos — e em que muitas medidas públicas de apoio aos jovens (como o IRS Jovem ou a garantia pública) já abrangem pessoas até aos 35 — o PÚBLICO procurou casos de jovens que se tivessem casado, tido filhos ou criado negócio próprio antes dos 30 anos (e antes da idade média) para perceber as suas motivações e as circunstâncias em que o fizeram. Levantamos já um pouco do véu: além de uma grande vontade, todos dizem que o apoio da família foi essencial.Voltemos a Mariana. A vontade de ser mãe acompanhava-a desde criança. “Era uma coisa difícil de explicar”, diz. Aliás, só não foi mãe mais cedo porque o seu marido Fábio não estava preparado para dar esse passo. Ainda assim, foram pais “sem dúvida no tempo certo”, admite a cabeleireira, que diz ser este o papel principal na sua vida. “Não terei capacidade financeira para ter mais filhos, mas adorava”, reconhece.Além da questão financeira, saber que tinha “bastante” rede de apoio foi essencial nesta decisão de ter filhos. “Nunca teria tido o meu terceiro filho se não tivesse tanto apoio da parte da minha mãe e do meu pai, porque não ia conseguir gerir tudo”, diz.”A minha mãe é mesmo incansável e é graças a ela que eu consigo ter disponibilidade para gerir o salão”, conta, dizendo que a ajuda é sobretudo importante ao final do dia quando precisa de tempo para fazer reuniões e outras tarefas burocráticas. O pai também a ajuda de manhã a levar as crianças à escola.


Mariana Martins criou o salão de cabeleireiro e estética Mariana Beauty Home num terreno que comprou aos pais
Adriano Miranda

Ainda que tenha conseguido alcançar muitos dos seus objectivos antes dos 30 anos, Mariana Martins admite que teve de fazer escolhas: optou por criar o seu próprio negócio e abrir o salão de cabeleireira e estética, mas para isso teve de prescindir de construir casa. Vive com o marido, Fábio, e com os três filhos — Matilde, de cinco anos; Oliver, de três anos; e Manuel, de três meses — num andar que reabilitaram na moradia dos pais, em Arnoso Santa Maria.Outro factor importante que pesou nestas decisões — de ter filhos, de fazer uma festa de casamento e de criar o salão de cabeleireira — foi terem algum dinheiro amealhado de quando estiveram emigrados na Suíça, a trabalhar na agricultura. Quando emigrou, em 2015, Mariana trabalhou a apanhar frutos do bosque, como morangos e framboesas. Passava horas ao sol e ao calor e chegava muitas vezes queimada a casa. Era um trabalho “muito duro e exigente”, confessa. Além disso, foi poupando dinheiro desde que começou a trabalhar, aos 16 anos.Assim que voltou a Portugal, começou a tirar uma formação de dois anos de cabeleireira, que custou 8000 euros, enquanto trabalhava noutros cabeleireiros em Famalicão. Só depois decidiu abrir o seu próprio salão, num edifício que construiu de raiz num terreno que comprou aos pais. Quando regressou da Suíça, conseguiu também terminar o ensino secundário, de que tinha desistido por se sentir “muito perdida”. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Pelo meio, foi conseguindo construir a família com que sonhou — mesmo sabendo que o estava a fazer mais cedo do que os amigos à sua volta. E não se arrepende. “É impossível não me sentir realizada.”Ter filhos antes dos 25 anosOs dados mostram que a idade com que as pessoas têm filhos em Portugal é cada vez mais tardia. Quando Mariana nasceu, em 1994, as mulheres eram, em média, mães pela primeira vez aos 25,6 anos. Mas três décadas depois, a média já está nos 30,7 anos. Segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística relativos a 2025, há mais mulheres a terem o primeiro filho depois dos 35 anos do que antes dos 25 anos.



Ana Rita Vieira é parte desta minoria: teve o primeiro filho com 20 anos, fruto de um “descuido”. Estava no segundo ano do curso de Enfermagem e numa relação de cinco anos que “não correu bem”: os dois separaram-se quando ainda estava grávida. Como o seu filho Salvador nasceu em Julho, Rita pôde retomar os estudos em Setembro, sem pausas. “Foi muito difícil estudar ao mesmo tempo que era mãe”, recorda a jovem que mora na Branca, no concelho de Albergaria-a-Velha.Na altura, a jovem morava com os pais (que também trabalhavam) e fazia questão de preparar a comida e a roupa do bebé, e de gerir os seus horários para conciliar a nova vida de mãe com a vida de estudante. Lembra-se de estar com o bebé ao colo enquanto estudava para as aulas de Farmacologia. “Ele era muito mau para dormir e eu tinha de saber os princípios activos, os mecanismos de acção da medicação, doses, formas de administração”, conta Ana Rita. “Era um esforço tão grande que muitas vezes ia para as aulas sem dormir.” A sua irmã mais nova tinha 15 anos, ainda estudava, e também foi uma “grande ajuda”.


Ser mãe nova também cria muitas inseguranças, diz Ana Rita Vieira. Questiona-se com frequência: “Estou a fazer bem ou a fazer mal?”
Adriano Miranda

Foi assim que conseguiu terminar os estudos e começar a trabalhar 15 dias depois, quando tinha 22 anos. “Só consegui este feito porque tinha um grande suporte familiar, tanto dos meus pais como da minha irmã”, diz a enfermeira, agora com 33 anos. “Se não fossem eles, não ia conseguir acabar o meu curso, garantidamente.” Quando terminou o curso na Universidade de Aveiro, Salvador tinha dois anos e Ana Rita decidiu procurar um trabalho que lhe permitisse conciliar a responsabilidade de ser “mãe sozinha e trabalhadora”. “Acabei por desenvolver a minha personalidade, e a minha vida, muito ajustadas à função de mãe”, diz, algo que sempre desejou ser. Por isso, acrescenta logo de seguida: “É a melhor coisa.”Aos 27 anos, em plena pandemia de covid-19, voltou a ser mãe, desta vez de uma menina chamada Mafalda. Ana Rita reconhece que, apesar do encanto de ser mãe, a sua juventude ficou esquecida pelo caminho. “Não fui a concertos, não fui a festas, não vivi a minha juventude como deveria ter vivido. Por outro lado, amadureci muito mais do que os meus colegas”, diz. Apesar das dificuldades, não se arrepende. “Perdi umas coisas, mas ganhei outras. E estou em paz com essa situação.” Além disso, alguns amigos começam agora a ser pais e a enfermeira sente que já tem “outra liberdade”.Da sua turma de Enfermagem em 2015, com cerca de 80 estudantes, contam-se pelos dedos das mãos os que decidiram ficar por cá. “Foi quase tudo para fora”, conta Ana Rita. “E esses, sim, já têm filhos e já têm casa.” Perante a falta de condições em Portugal, é um cenário cada vez mais equacionado. “O que se ouve mais nas universidades entre os estudantes é que querem emigrar. Todos os inquéritos mostram isso”, diz Vitor Sérgio Ferreira.O adiamento A demógrafa Maria Filomena Mendes reconhece que a transição para a vida adulta “se modificou bastante” nas últimas décadas e que não há só um adiamento, mas também uma alteração na “sucessão de eventos”. Antes, um jovem terminava os estudos, arranjava emprego, casava-se, comprava casa e tinha filhos. “Actualmente, nem sempre as coisas são dessa forma”, observa a professora da Universidade de Évora, dizendo que alguns destes marcadores tradicionais perderam a sua dimensão simbólica. “Começou a ser socialmente aceite as pessoas casarem mais tarde e viverem juntos primeiro.”


Inês Silva tem 26 anos e chegou a ter dúvidas sobre se deveria casar-se: não por falta de vontade, até porque sempre o quis, mas pelo custo elevado da cerimónia. A decisão acabou por se tornar mais clara depois de ter emigrado para a Suíça, tal como Mariana, e conseguido juntar algum dinheiro. Quando acabou a licenciatura em Comunicação e Audiovisual, emigrou para Lucerna, onde o seu namorado já vivia, e começou por trabalhar nas limpezas enquanto estudava alemão. Quando já se conseguia desenrascar na língua, foi trabalhar num restaurante. “Lá, para mim, só era bom a nível monetário. De resto… Não tínhamos vida social, não tínhamos família, não tínhamos nada. Era uma vida de trabalho”, diz a jovem de Barcelos. “Só e apenas.”No ano passado, quatro anos depois, Inês e o companheiro regressaram a Portugal e casaram-se em Agosto pela Igreja, tinha Inês 25 anos. Mas, por cá, sente que a sua geração está “ao abandono”, sobretudo pelo custo de vida e pela falta de apoios, que fazem parecer que é preciso ter sempre os trocos contados para tomar estas grandes decisões de vida.


“É sempre tudo muito pensado, sempre com muito cuidado sobre o que vamos fazer ou não fazer, muito por causa do valor financeiro”, diz Inês Silva
Adriano Miranda

Agora casada, Inês tenciona ter filhos para o ano, “se tudo correr bem”. Gostaria de ter dois, mas tudo dependerá das circunstâncias. Começaram a construir casa e o apoio da família também foi essencial, até porque o terreno lhes foi cedido.”É um passinho de cada vez”, afiança, reconhecendo que só está a conseguir alicerçar esta vida por ter juntado dinheiro no estrangeiro. Se não tivesse emigrado, não se conseguiria ter casado, “de todo”. Da realidade que vê à sua volta, não hesita em dizer que sente que se casou cedo: “Do meu grupo de amigas, sou a primeira.”Em 2025, a idade média com que as pessoas se casam pela primeira vez era de 34,6 anos nas mulheres e 36,1 anos nos homens, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística. A idade média subiu quase uma década nos últimos 30 anos: em 1995, as mulheres casavam-se em média aos 24,9 anos e os homens aos 26,8 anos. Havendo menos casamentos, há também mais crianças a nascerem sem que os seus pais estejam casados: em 2025, 59,2% dos bebés nasceram fora do casamento.


Estes dados são explicados pelas condições que os jovens enfrentam: por um lado, espera-se que estudem até mais tarde e entrem no mercado de trabalho mais tarde; por outro, isso significa que saem de casa dos pais mais tarde — e muitas vezes não conseguem ter um salário que lhes permita comprar casa, ter filhos ou pagar um casamento.O que antes era considerado típico da fase juvenil — como a precariedade no emprego ou a saída e regresso à casa dos pais — “estamos agora a ver acontecer em idades adultas”, refere Vitor Sérgio Ferreira, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. É por isso que o investigador acredita que está a haver uma reestruturação da idade adulta, que antes era “muito conotada com a ideia da estabilidade”.Como a esperança média de vida também é maior, “isso transforma completamente a sociedade, conforme transforma completamente a forma de estar e de se ver a tomada de decisões”, refere Maria Filomena Mendes. “Quando uma pessoa tem filhos mais tarde, tem a expectativa de os acompanhar até mais tarde na sua vida também”, considera a professora da Universidade de Évora.A demógrafa nota que houve uma rápida aceitação por parte da sociedade a todo este adiamento, uma “adaptação a uma nova realidade social”: as famílias e amigos dizem aos jovens que ainda são novos para terem filhos, que ainda não têm idade, que devem aproveitar a vida. No fundo, há esta ideia de “expectativa de vida futura”. De que há tempo.E as excepções?As excepções também estão estudadas. “Vamos encontrando excepções tanto na base da pirâmide social como no topo da pirâmide social”, explica Vitor Sérgio Ferreira. “Encontramos percursos de vida que acabam por ser antecipados entre as classes mais desfavorecidas, até porque é difícil planear quando se vive em escassez. E depois encontramos também no topo da pirâmide, no sentido em que são pessoas que têm aquilo a que chamamos de família-providência, que pode apoiar este tipo de transições.”Maria Filomena Mendes diz que “haverá sempre” estas excepções de quem decide casar-se e ter filhos mais cedo num mundo em que a tendência é de adiamento. E acredita que estes casos poderão tornar-se mais comuns se houver uma melhoria das condições de vida. “Neste momento, as circunstâncias são bastante difíceis para os jovens e as crises que temos vindo a enfrentar também não ajudam”, considera a demógrafa. Para tomar estas decisões, “é importante não viver num contexto de incerteza permanente”.A demógrafa refere que também existem muitos casos de pessoas que querem ter filhos e, por questões de infertilidade, não conseguem. Quem tem amigas ou familiares mais velhos nesta situação pode também “repensar” a idade com que tem filhos: não necessariamente antes dos 30, mas não demasiado tempo depois.Esta foi uma das razões que levou o casal Pedro e Maria a querer ter filhos mais cedo: conheciam casos de pessoas próximas que queriam ser pais e tiveram dificuldades em engravidar. “Sabíamos que quanto mais cedo e mais novos o fizéssemos, maior a probabilidade de conseguirmos ter filhos.” Além disso, foi algo que sempre desejaram e sabiam que quanto mais novos fossem pais, mais energia teriam. “Sei perfeitamente a loucura que é ter filhos, mas acaba por ser uma loucura boa”, refere Pedro Sousa, que mora no Estoril com a família e tem agora 30 anos. É casado desde os 23 anos e tem três filhos: Lourenço, de seis anos; Tomás, de quatro anos; e Zé Maria, que nasceu há um mês e meio.


Pedro, Maria e os seus filhos Lourenço, Tomás e Zé Maria. “Tenho perfeita noção da sorte que temos e, por isso, quero retribuir um bocadinho”, diz Pedro Sousa, de 30 anos
Nuno Ferreira Santos

Pedro e Maria namoravam há três anos quando surgiu o pedido de casamento, mesmo antes de Pedro começar o seu primeiro trabalho a tempo inteiro — sabia que se estava a casar cedo e ouviu alguns comentários indelicados por causa da idade, mas estava seguro da sua decisão. Sentia que não queria perder tempo e que só valia a pena estar numa relação se fosse para a vida, para casar e para construir família. Como são católicos, o casamento também tinha um importante valor simbólico. Pedro não acredita que o casamento seja só um papel: “É um acto de amor e entrega gigantesco”, um sacramento e um compromisso. “O amor também é uma decisão.”Pedro Sousa reconhece por várias vezes a “sorte e o privilégio” que tem por ter tido tanto apoio da família ao longo da sua vida, ainda mais por ser filho único. Refere que os seus pais “conseguiram construir uma vida muito confortável graças a muito estudo e muito trabalho”, e, por isso, sempre foi tendo o apoio da sua família e da de Maria — incluindo no pagamento do casamento e na entrada da casa, a que juntaram as suas poupanças.Ainda assim, acredita que tomariam a decisão de se casar cedo e ter filhos mesmo que não tivessem a família por perto. O jovem do Estoril apoia-se na ideia de “sacrificar o presente pelo futuro”: sabe que a vida agora é uma correria e repleta de desafios, mas acredita estar a contribuir para “algo maior”.Pedro começou há meio ano a liderar em Portugal uma start-up britânica chamada Zango, que utiliza inteligência artificial (IA) para automatizar processos de compliance de serviços financeiros. É um cargo de grande responsabilidade que torna difícil gerir com a sua vida pessoal, até porque tem de ir a Londres alguns dias por mês. À tarde, desliga do trabalho para dar banho aos filhos e para jantarem todos juntos, como faz questão. Depois de os filhos estarem deitados, fica um pouco à conversa com a sua companheira, que também trabalha em consultoria. E “não são raros os dias” em que Pedro continua a trabalhar à noite.Dos seus amigos, quase todos têm filhos; entre os seus colegas de trabalho, são raros os que têm. “Preferimos dar prioridade à família, ainda que gostemos os dois muito de trabalhar”, diz Pedro. Da sua parte, não sai à noite, não vai a muitos jantares fora, não faz muitas férias. “Isso não é o essencial”, comenta.Além dos três meninos, Pedro e Maria tencionam ter mais filhos. “É um dom enorme termos filhos e temos coisas muito boas para lhes passar.” As condições, diz, são-lhes favoráveis: têm apoio da família, têm energia, não têm “a corda ao pescoço a nível financeiro”, têm empregos estáveis e os avós ainda são novos. Por agora, sente-se feliz pela sua família: “Olho para trás e orgulho-me de deixar este legado familiar.”



Nuno Ferreira Santos

O número de filhos que se tenciona ter aos 20 anos é diferente do que se tenciona aos 30 ou 35 anos, indica Maria Filomena Mendes. “Quanto mais se adia, maior é a dificuldade de se vir a ter um número de filhos mais próximo do desejado, que é um dos factores que faz com que a nossa natalidade acabe por ter dificuldades de recuperar se se mantiver esta tendência de adiamento”, aponta a demógrafa.“O meu sonho era ter três filhos, mas não correu como previsto”, conta a enfermeira Ana Rita, explicando que se separou do pai da sua filha mais nova. Foi uma decisão difícil, mas sabe que “mais vale uma boa separação do que um mau casamento”. Ter o dinheiro contado a cada mês também pesou na decisão de não ter mais filhos. Ana Rita comprou a casa que era da sua avó e continua a viver perto da família. “É uma casa pequenina e antiga, mas dá.” Vai remodelando aos poucos, ainda há pouco conseguiu trocar as janelas. “Tento não me comparar muito aos outros colegas que compram casas novas porque cada um tem a sua situação. Cada um faz o que pode com o que tem.”Uma coisa que os quatro jovens ouvidos pelo PÚBLICO têm em comum, além de terem atingido muitos daqueles que são vistos como os marcos tradicionais da vida adulta (casar, ter filhos, ter um negócio ou um emprego estável), é que todos sentem que o país não oferece as condições necessárias para os jovens avançarem com as suas vidas, começando por salários dignos.”Pagar casa, pagar carro, criar dois filhos e trabalhar não é fácil”, diz Ana Rita. Ainda mais quando surgem despesas inesperadas, como o carro que teve agora de trocar após uma avaria. É precisamente a incapacidade de conseguir ter uma “almofada de segurança” que mais lhe dá ansiedade. Apesar das dificuldades, não o trocaria por nada: “Quando os meus filhos me dizem ‘gosto muito de ti’, compensa tudo.”

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