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“Livro de recitações” no artigo “Os livros, em época de Feira”, publicado no Ípsilon de 29 de Maio de 2026

António Guerreiro tem de ser mais rigoroso. Escreveu que sou militante do Bloco de Esquerda, apesar de ser público (por exemplo, disse-o na entrevista dada a Raquel Marinho, no podcast O poema ensina a cair) que não tenho qualquer participação partidária há cerca de sete anos. Não bastasse e ainda inventa uma ponte entre mim e os resultados eleitorais do Bloco, apesar de também ser público, através de várias crónicas publicadas no Expresso ou na Sábado, que, em várias questões, não estou alinhada com a esquerda orgânica. Guerreiro não tem de saber sobre a minha vida – a não ser que escreva sobre ela. Além disto, considera uma “pérola”, e ainda por cima uma pérola “debitada”, que eu diga que as cirurgias de resignação de sexo sejam uma questão do Ministério de Saúde. Naturalmente, parece-me que vaginoplastias, mastectomias, histerectomias e por aí fora devem ser realizadas por médicos, e não pelo senhor do talho ou por um cronista do PÚBLICO.

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