Milhares de albaneses saíram às ruas de Tirana na quarta-feira, pelo terceiro dia consecutivo, para protestar contra um empreendimento planeado por uma empresa ligada ao genro de Donald Trump, Jared Kushner, numa zona ambientalmente sensível da costa adriática. Imagens mostram a polícia a disparar canhões de água contra manifestantes.O resort de 1,4 mil milhões de euros está a ser liderado pela empresa de investimento de Kushner, a Affinity Partners, numa ilha ao largo da Albânia e numa faixa de litoral virgem perto da paisagem protegida de Vjosa-Narta, uma zona húmida onde vivem flamingos, focas e tartarugas-marinhas que aí nidificam.Os ambientalistas opõem-se ao projecto, que, segundo dizem, ameaça zonas húmidas protegidas e habitats de vida selvagem e afectaria várias centenas de hectares de praias intocadas.
Baía de Zvernec, na área protegida de Vjosa-Narte, onde uma empresa ligada a Jared Kushner, genro de Donald Trump, planeia construir um resort de luxo perto de Vlora, na Albânia
REUTERS/Florion Goga
Os promotores afirmam que irão avançar de forma responsável. “O nosso foco mantém-se na gestão responsável, na valorização ambiental, na criação de emprego e na geração de valor a longo prazo para as comunidades locais. Respeitamos os processos públicos e institucionais em curso”, afirmou Asher Abehsera, presidente da Sazan Real Estate Development LLC, que desenvolve os planos em parceria com a empresa de Kushner.A Affinity Partners e Kushner não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.Região selvagem destruídaOs manifestantes têm-se reunido em frente ao gabinete do primeiro-ministro albanês, Edi Rama, segurando flamingos insufláveis e cartazes com as inscrições “A nação não está à venda” e “Não quero uma Albânia como o Dubai”.
Manifestantes exibem faixas e a bandeira albanesa em protesto contra um resort de luxo, um projeto de uma empresa ligada a Jared Kushner, genro de Donald Trump, numa área protegida em Tirana, Albânia
REUTERS/Florion Goga
“Queremos que todas as construções parem e que as máquinas pesadas saiam da área protegida”, disse Joni Vorpsi, ecologista da organização PPNEA-BirdLife Albania, na terça-feira. “Isto seria uma nova cidade com cerca de dez mil quartos e destruiria completamente aquela região selvagem.”Edi Rama, por seu turno, já veio defender o projecto. “É muito importante que continuemos a ser acolhedores, que continuemos a ser justos e que em circunstância alguma recebamos o estigma de sermos um país onde os investidores são recebidos com hostilidade”, disse numa declaração partilhada com a Reuters na terça-feira. “Não existe absolutamente nenhuma hipótese de o investimento parar enquanto eu aqui estiver.”Os protestos por parte de habitantes locais e organizações sem fins lucrativos começaram depois de os promotores terem erguido grandes cercas de arame farpado no local previsto para o empreendimento, em Zvërnec, perto de Vlora.Várias centenas de pessoas reuniram-se e entraram em confronto com seguranças privados no sábado, tendo alguns ficado feridos, segundo um testemunho da Reuters.Kushner anunciou os planos de construção do resort em 2024, no âmbito de um investimento mais alargado que incluía também uma antiga sede do exército na capital sérvia, Belgrado. No ano passado, abandonou o projecto na Sérvia na sequência de protestos nas ruas contra o mesmo.
