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"Adorava um Portugal-Canadá na final. Portugal tem tudo para correr bem"

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“Seria incrível. Eu nasci e cresci lá e as pessoas não têm noção da paixão e intensidade com que aquela comunidade vive a seleção. Lembro-me de Portugal ganhar uma partida normal em fases finais e de a malta ocupar uma zona de Toronto com bandeiras, a cantar o hino e a festejar. Parecia quase que éramos campeões do mundo nesses dias”, disse à agência Lusa o antigo defesa central, de 39 anos, que fez 46 jogos e cinco golos nos ‘canucks’, entre 2016 e 2023, e participou no Mundial2022, no Qatar.

A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.
Em função do desempenho na primeira fase, totalmente disputada nos Estados Unidos, Portugal pode disputar os 16 avos de final em Toronto, cidade-natal do luso-canadiano Steven Vitória, caso termine o Grupo K no segundo lugar, ou atuar em Vancouver nos ‘oitavos’, se vencer a ‘poule’.
Cerca de 450.000 a 500.000 pessoas de origem portuguesa, incluindo imigrantes e descendentes, vivem no Canadá e formam uma das maiores comunidades étnicas do país, que se costuma juntar em áreas urbanas, sobretudo na província do Ontário, onde fica Toronto e a capital Otava.
“Essa paixão é linda e pura. As pessoas vivem o futebol como se fosse o desporto-rei no Canadá. Residindo longe de Portugal, mas tendo a possibilidade de estarem perto da seleção, isso terá um grande impacto, vai dar força e será bom para todos. Os jogadores também vão sentir esse calor dos adeptos nos Estados Unidos ou onde forem, mas em Toronto é especial”, partilhou o ex-central de Benfica, Estoril Praia, Moreirense, Desportivo de Chaves ou Boavista, entre outros clubes portugueses.
Qualificado pela nona vez, e sétima seguida, para a fase final do principal torneio internacional de seleções, Portugal tem como melhor resultado o terceiro lugar alcançado logo na estreia, em 1966, e chegará à próxima edição “recheado de valor em todas as posições” para lutar pelo troféu.
“Adorava ver um Portugal-Canadá na final. Portugal tem tudo para correr bem. Esperemos que este seja o momento e tudo se possa alinhar da melhor forma, porque qualidade e jogadores não faltam. Temos uma geração incrível e, por tudo o que eles têm feito e pelos clubes em que andam, não ficaria nada surpreendido se ganhassem. Se puder ser Portugal ou Canadá, maravilha”, projetou o campeão nacional pelo Benfica em 2013/14 e vencedor da II Liga com Olhanense, em 2008/09, e Estoril Praia, em 2011/12.
Com a maioria da carreira feita em Portugal, onde chegou aos 18 anos e ainda reside, Steven Vitória advertiu que as seleções têm de estar preparadas para as características dos três países coanfitriões do Mundial2026, cujas cidades-sede canadianas são Toronto e Vancouver.
“Lembro-me de ir de um lado ao outro e estamos a falar de cinco horas de avião. São viagens muito grandes dentro de países enormes. Quem jogar em Toronto não vai sentir muito a altitude que existe na Cidade do México ou em outras cidades dos Estados Unidos, nas quais podem estar 30 ou 40 graus e níveis de humidade diferentes do Canadá”, contextualizou.
Totalista nas derrotas perante Bélgica (1-0), Croácia (4-1) e Marrocos (2-1) em 2022, Steven Vitória é adjunto da Indonésia, numa equipa técnica liderada pelo inglês John Herdman, selecionador dos ‘canucks’ há quatro anos.
“Claro que essas condicionantes podem ter um impacto muito grande e não é fácil geri-las, muito mais quando há pela frente intervalos curtos de um jogo para o outro, viagens e altitudes. Pode afetar, mas vai ser para todos. Não é para servir de desculpa, mas sim para desfrutar na mesma”, concluiu.

Alfredo Di Stéfano, George Best, Eric Cantona ou Ryan Giggs são quatro das maiores ‘lendas’ do futebol que nunca disputaram um Mundial, ‘clube’ de ‘elite’ do qual se prepara para sair o norueguês Erling Haaland.
Lusa | 09:49 – 04/06/2026

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