
O presidente do Chega considerou que “não é necessário” aplicar um plafond às contribuições mensais dos trabalhadores para a Segurança Social de forma a assegurar a descida da idade da reforma aos 65 anos ou até completar os 40 anos de desconto – como sugere o partido.
André Ventura admitiu, em entrevista na antena da CNN, na noite desta terça-feira, querer estabelecer um teto máximo para as pensões, mas afastou a ideia de plafonar também as contribuições mensais dos trabalhadores.
“Acho que isso não é necessário porque pelas contas feitas, pelas próprias agências internacionais e europeias, a questão não é o plafonamento das contribuições. A questão é como é que o dinheiro, após as contribuições na Caixa Geral de Aposentações, é usado para financiar as reformas”, afirmou.
Questionado sobre a justiça de impor um teto máximo às pensões (que o partido sugeriu ser até 4.500 euros), independentemente dos valores descontados ao longo da vida do trabalhador, Ventura desvalorizou e até usou Ricardo Salgado como exemplo.
“Não quero saber quanto é que o Ricardo Salgado descontou todos os meses. Não pode receber pensões de marajá da Índia num país em que as pessoas ganham 500, 600 euros”, atirou.
Quanto ao custo da proposta do Chega relativamente à idade da reforma, Ventura afirmou que o partido já fez as contas e que a medida iria custar 1,8 mil milhões de euros a mais aos cofres do Estado: “Isto são dois anos de desperdício no Ministério da Saúde, que é mil milhões todos os anos”, considerou. O Governo tinha afirmado anteriormente que o custo desta medida seria de 2,5 mil milhões de euros.
O Chega, recorde-se, propôs que a reforma passe a ter dois critérios, independentes entre si: ou 40 anos de descontos ou 65 anos de idade.
“A Lei nº 4 de 2007, que define as bases do sistema de Segurança Social, deve passar a reconhecer explicitamente a duração efetiva da carreira contributiva como critério autónomo relevante para a atribuição da pensão de velhice”, disse esta terça-feira numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa.
O Chega vai propor no Parlamento que um trabalhador possa reformar-se quando atingir 40 de descontos ou 65 anos de idade e quer colocar um teto máximo para as pensões mais altas de 4.500 euros.
Lusa | 13:04 – 02/06/2026
