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Palácio da Ajuda reabre renovado até ao final do ano após obras

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As obras, iniciadas há mais de um ano, afetaram diferentes áreas e artes do PNA, desde a estrutura às fachadas e decoração, e permitirão a abertura ao público de três salas encerradas há mais de um século.

As obras abrangeram os torreões do PNA, salas como o ateliê do rei D. Luís e o telhado, numa área de total de 10.000 metros quadrados de telhas, porém o antigo palácio real manteve-se visitável no decorrer da intervenção que tem de estar terminada no próximo dia 31 de agosto, prazo final do PRR.
O Palácio da Ajuda é “um equipamento reconhecido pelos portugueses como parte do seu quotidiano, da sua história, da sua herança. É um monumento muito querido dos portugueses e merece da nossa parte toda a atenção”, disse hoje aos jornalistas o presidente do conselho diretivo do Património Cultural – Instituto Público (PC-IP), João Soalheiro, garantindo que “a intervenção de conservação e restauro que está a ser feita é multivetorial”.
As três salas que vão ser abertas ao público, designadas como “do Tesouro”, foram no reinado de D. Luís visitáveis pelo público, mas após a morte do monarca, em 1889, deixaram de o ser e passaram a constituir sala de reservas e num futuro percurso de visitas serão “reservas visitáveis”, disse por seu turno, o diretor do PNA, José Alberto Ribeiro.
Nas paredes destas salas é ainda possível observar “os desenhos preparatórios que foram interrompidos para as pinturas que levariam de seguida, por ocasião da morte de D. João VI [em 1826] e que ajudam a compreender melhor o resultado das salas magníficas do trono de D. João VI e outras”, destacou Soalheiro.
O abrir de salas do palácio revelou esquissos de desenhos, assim como alguns ‘graffiti’, como assinaturas de operários que ali trabalharam, identificando-se ou referindo o período de trabalho. Numa dessas marcas, no Torreão Sul, lê-se que foi substituída a antiga telha (“de canudo”) por “telha lusa”, em 1940, época em que se registaram intervenções pontuais no PNA. José Alberto Ribeiro diz que está a ser estudada a possibilidade de manutenção destes documentos.
A construção do Palácio da Ajuda, na zona ocidental da capital, foi iniciada em 1802, no reinado de D. João VI, e tornou-se residência régia com o rei D. Luís que nele residiu a partir de 1861.
Uma das salas intervencionadas foi o ateliê de pintura de D. Luís, onde existiam infiltrações, a exemplo de outros espaços do palácio, uma sala em madeira, decorada em estilo neogótico, que os visitantes muito apreciam, disse Ribeiro. Esta sala inclui trabalhos do entalhador Leandro Braga (1839-1897) e nela exerceram pintura e escultura os reis D. Luís e D. Maria Pia, assim como os príncipes Carlos e Afonso.
“No conjunto, são várias empreitadas em simultâneo, a maior das quais é as coberturas, efetivamente, com um montante de 6,5 milhões de euros”, disse Soalheiro.
Questionado sobre o investimento feito, João Soalheiro afirmou que foi feita “uma gestão muito metódica dos financiamentos e o mercado obrigou em várias circunstâncias a fazer reafetação e reajustes”. Verbas previstas para obras noutros equipamentos, que não iriam ser terminadas até 31 de agosto, por imposição do PRR, foram alocadas em outras intervenções.
“O Museu Nacional de Arqueologia chegou a ter um financiamento programado de 32 milhões de euros. Verificou-se que era impossível executar esse montante dentro do prazo do PRR. O que fizemos foi deslocalizar parte do financiamento que sobrava, que não se conseguia executar, para outros equipamentos”, exemplificou João Soalheiro.
No total estão a realizar-se, em todo o território nacional, intervenções em 85 monumentos.
Terminadas as obras no âmbito do PRR, as intervenções vão continuar no palácio: “Não sei quando nem quem as vai fazer, sei que é uma obrigação de todos nós cuidarmos do nosso património e diversificarmos os investimentos que estão a ser feitos ao nível do PRR”, disse o presidente do PC-IP.
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