"Messi é melhor do que o Cristiano Ronaldo porque tem um talento natural"
Ángel Di María concedeu, esta terça-feira, uma extensa entrevista de carreira ao site oficial da Ballon d’Or, na qual, entre outros temas, respondeu à pergunta de um milhão de dólares, ao considerar Lionel Messi melhor do que Cristiano Ronaldo.
Companheiro de Messi na seleção da Argentina e ex-colega de Cristiano Ronaldo no Real Madrid, Di María reconheceu que o português tem uma capacidade de trabalho muito elevada, mas considerou que o compatriota é melhor do que o avançado luso.
“O Cristiano era puro e constante trabalho árduo, dia após dia… Dava sempre o seu melhor para tentar igualar o Leo (Messi), que era todo talento natural, um dom divino. O outro (Cristiano) baseava-se inteiramente no trabalho árduo e constante para se equiparar a ele e, por vezes, tentar ultrapassá-lo. É por isso que também ganhou tantos Bolas de Ouro”, começou por dizer o antigo jogador do Benfica.
“Houve uma altura em que se discutia se a Bola de Ouro deveria ir para quem ganhasse a Liga dos Campeões ou para quem marcasse mais golos do que o outro. Mais tarde, os dois ficaram muito equilibrados, cada um com os seus pontos fortes. Mas quando se trata de trabalho árduo, o Cristiano é de outro nível”, prosseguiu o argentino.
“Para mim, são os dois melhores da história nesta era, não são? Depois há também o Diego [Armando Maradona]… Mas, entre os dois, a diferença está no que um ganhou e no que o outro ganhou. Para mim, o Leo é melhor do que o Cristiano porque tem um talento natural, não precisa de se esforçar constantemente para igualar ou superar alguém. Tive a melhor relação com ambos e também dei assistências a ambos. Foi algo único. A melhor coisa que me poderia ter acontecido foi jogar com duas pessoas que têm vindo a disputar a Bola de Ouro nos últimos 20 anos”, sublinhou Di María.
De regresso à Argentina e ao ‘seu’ Rosario Central, o avançado assumiu que esperava mais dificuldades no que toca à adaptação.
“Esperava que fosse diferente, mas, no meu caso… Pensei que seria difícil adaptar-me, que seria uma luta, porque já tinha visto isso acontecer com muitos jogadores quando regressavam. Mas, sinceramente, não foi assim. Adaptei-me muito bem, o clube estava em boa forma, com jogadores da mais alta qualidade. Tudo isso ajudou-me a adaptar-me mais rapidamente e a sentir-me mais à vontade. Isso ajudou-me imenso. Se chegares a uma situação em que a equipa não está a ir bem, é muito mais difícil, mas não foi esse o caso… Foi muito mais fácil para mim”, ressalvou o argentino, que recordou a importância de José Mourinho para o seu crescimento enquanto futebolista.
“Tudo o que sou hoje, a Europa deu-me ao longo dos anos. Aprendi a jogar com os melhores e a ter os melhores treinadores, que te levam ao limite. Jogar em competições importantes como a Liga dos Campeões ajuda-te a crescer muito. Tornei-me quem sou graças aos jogadores que tive ao meu lado e também graças ao Mourinho, que foi quem me apoiou numa altura em que as coisas não estavam a correr como eu queria. Fui ao Mundial2010 ainda jovem, com o Diego Maradona, que também me apoiou até ao fim, mas as coisas não correram como eu queria… Mourinho, no final, defendeu-me. Ele queria que eu fosse (para o Real Madrid) de qualquer maneira, acreditava que eu teria um bom desempenho… E tudo correu bem. Acabei por ter um desempenho de muito alto nível. A partir daí, comecei a crescer”, finalizou.
Antigo jogador do Benfica, que deixou o clube da Luz no final da temporada passada, falou sobre a passagem pelo Manchester United e a experiência negativa que viveu com a camisola dos red devils.
Rodrigo Querido | 17:25 – 26/05/2026



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