
O diretor do Serviço de Gestão de Recursos Humanos da Unidade Local de Saúde Lisboa Ocidental (ULSLO), André Coelho Dias, terá prendido uma assistente técnica a uma cadeira com fita-cola para que a funcionária terminasse uma tarefa.
O caso, avançado pelo Público e pela TVI/CNN Portugal, foi denunciado pela alegada vítima, através de uma participação disciplinar, onde contou que a agressão ocorreu pelas 10h45 do passado dia 12 de maio, nas instalações hospitalares, e foi presenciada por nove testemunhas.
A ULSLO, sublinhe-se, integra os hospitais São Francisco Xavier, Egas Moniz e Santa Cruz.
“Agarrou-me fisicamente pelos braços e, fazendo uso de fita cola que se encontrava na minha secretária, começou por colar o meu braço direito à minha cadeira, com o instituto de me manietar, situação que não foi totalmente concluída em virtude de a fita cola ter acabado”, descreveu.
Segundo a vítima, André Coelho Dias terá ainda gritado: “Não se levanta desta cadeira enquanto não terminar a tarefa que lhe dei há mais de dois meses”.
Desde então, a assistente técnica diz ter sofrido “constrangimento e humilhação”, além de crises de ansiedade, medo e receio de represálias.
Segundo a reportagem, 130 diretores de serviços médicos, responsáveis de enfermagem, coordenadores e técnicos assinaram uma carta enviada ao Conselho de Administração, onde denunciaram uma “preocupante degradação do clima organizacional”.
Os signatários da carta, que pedem uma reunião urgente com a administração da ULSLO, destacaram ainda a existência de “desrespeito e desconsideração pelos profissionais”, “níveis elevados de insatisfação” e “possibilidade concreta da saída de mais profissionais”.
O Notícias ao Minuto contactou a Unidade de Saúde Local de Lisboa Ocidental e está a aguardar resposta.
No entanto, em declarações à TVI/CNN Portugal, o Conselho de Administração explicou que o Serviço de Gestão de Recursos Humanos “tem estado a liderar o processo de atualização do programa de registo da assiduidade”, bem como a “modernizar a forma de contacto dos colaboradores”.
A administração referiu que o processo trouxe “constrangimentos acrescidos”, mas sustenta que foram emitidas “diversas circulares informativas” e realizadas reuniões com sindicatos.
André Coelho Dias na mira da IGAS
Em março, o Diário de Notícias avançou que a Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS) estava a investigar a organização e o funcionamento do Serviço de Gestão de Recursos Humanos da ULSLO.
“O processo de inspeção foi instaurado por despacho do Inspetor-geral, no seguimento da análise preliminar de uma denúncia rececionada através do Canal de Denúncias da Inspeção-Geral das Atividades em Saúde, relativa a alegadas irregularidades no Serviço de Recursos Humanos da Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, E.P.E”, confirmou, na altura, a IGAS ao jornal.
A denúncia dava conta do “ambiente instalado na ULS devido ao funcionamento e organização do SGRH imposto pelo diretor”, uma vez que, desde que assumiu funções, há falhas no “pagamento de horas a médicos e enfermeiros” e “um uso abusivo de ‘manifesta urgência’ nos processos de recrutamento de profissionais para o seu serviço e outros”, quando esta figura apenas deveria “ser usada como exceção à regra”.
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