TECNOLOGIA

Histórias para não adormecermos: uma conversa com Laurie Anderson

Trump como Jesus, a curar os doentes, aviões de combate no céu, atrás dele. A inteligência artificial fez o trabalho de ilustração, o Presidente dos Estados Unidos — desafiando velhas noções de gravitas, bom senso e decência — partilhou-o na Internet. Aconteceu no dia da conversa do Ípsilon com Laurie Anderson. A artista multimédia ainda se choca com estas coisas.”Vivemos tempos surreais. Os artistas não têm qualquer hipótese [risos]. Eles [os governantes] estão a fazer tudo no nosso lugar. Enfim, todas as noites da digressão acabo por citar algum facto novo desta insanidade que está a acontecer com o nosso ‘rei louco’”, disse.A digressão é a do espectáculo Republic of Love, que passará por Portugal este domingo e esta terça-feira, no Centro Cultural de Belém (Lisboa) e no Theatro Circo (Braga). Acontece no momento em que Laurie lança o álbum ao vivo Let X=X, documento do primeiro encontro com a SexMob, a banda que a acompanha no novo espectáculo.Uma conversa que passou por Trump, mas também por Lou Reed, companheiro de 21 anos de Laurie Anderson, e o budismo.Em 1968, um acidente vascular cerebral, um mês depois da famosa queda da cadeira, deixou-o incapaz de governar. Doente e confinado ao Palacete de São Bento, Salazar viveu dois anos convencido de que continuava a ser o ditador de Portugal. Presidente da República, ministros, embaixadores, amigos, médicos, enfermeiros, a governanta, as empregadas da casa, o calista e até um jornalista francês entraram na farsa, fingindo que Salazar era “o senhor presidente do Conselho”.Vindo do documentário, José Filipe Costa realizou Pai Nosso – Os Últimos Dias de Salazar enquanto ficção alimentada pela pesquisa histórica.”Espero iluminar esta história pouco conhecida. Há muitas pessoas que não sabem que Salazar esteve dois anos como se fosse o presidente do Conselho. Fui perguntando e percebi que as pessoas pensam que foi queda da cadeira e morte, de seguida. Ao não saberem que houve esta mentira, não reconhecem a natureza complexa, alucinatória e hipócrita da ditadura. Esta história ajuda a iluminar a ideia do pequeno fascismo, o pequeno fascismo dentro desta casa”, disse o realizador na entrevista com Bárbara Reis.Instalou um colchão na galeria Underdogs, em Lisboa, onde criou à frente de todos. O capitalismo, o tédio, a solidão digital: tudo converge no trabalho de Rita Gomes, isto é, Wasted Rita, adorada pelos anónimos da Internet e por Madonna. “A vulnerabilidade crua deixa-me confortável”, disse ela a João de Sousa Cardoso. “É uma característica do meu trabalho: a aparente sinceridade brutal.”O Centro de Arte Hortensia Herrero, em Valência, dedica por estes dias uma exposição a Anselm Kiefer, com 11 obras. O artista alemão é também a estrela do novo Muzeu de Braga, onde há oito obras suas. “Kiefer é muito requisitado, porque há uma espécie de consenso — o público e a crítica concordam que é um bom artista. Eu acho que toda a gente gosta de Kiefer, essa é a verdade”, diz Javier Molins, director artístico do museu valenciano.Paul McCartney de regresso às ruas da sua Liverpool, à boleia com George Harrison, a compor com Lennon, a gravar com Ringo. Tocante álbum de memórias, The Boys of Dungeon Lane, editado esta sexta-feira, é também prova de amor ao ofício de compor canções, escreve Mário Lopes.Também neste Ípsilon:— Cinema: Leibniz – Crónica de uma Pintura Perdida, Backrooms — O Labirinto, Falta Muito para Amanhã e Ali, Aqui.— Artes: Sem Terra à Vista, uma exposição colectiva em São João da Madeira.— Livros: Op. 28 e Rua Cesário Verde, romances de estreia de Mário Santos.— Dança: Borda, de Lia Rodrigues — dançar quando tudo dói demais?Boas leituras!Os textos desta newsletter sem os respectivos links ainda só estão disponíveis na edição impressa.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Bloqueio de Anúcio Activado!

Por favor, desative para continuar...