Onda de calor: França e Reino Unido em alerta máximo devido a mortes por afogamento e choques térmicos

Onda de calor: França e Reino Unido em alerta máximo devido a mortes por afogamento e choques térmicos

Onda de calor: França e Reino Unido em alerta máximo devido a mortes por afogamento e choques térmicos

A Europa Ocidental atravessa uma das ondas de calor mais intensas de que há memória para um mês de Maio, com recordes de temperatura a cair em vários países e pelo menos 14 mortes confirmadas em França e no Reino Unido.Na origem do fenómeno está uma cúpula de calor — uma crista de alta pressão instalada sobre a Península Ibérica, alimentada por ar quente proveniente do noroeste de África — que se encontra entre as mais intensas já registadas, superada apenas por 12 em cada mil situações semelhantes, descreve o Washington Post. O ar quente permanece praticamente estacionário, em vez de ser substituído por ar mais fresco do Atlântico, aquece ao afundar-se, dissipa a cobertura de nuvens e desvia o jacto polar e os sistemas de mau tempo para norte.As previsões apontam para uma atenuação do calor no final da semana.Os cientistas são unânimes: o fenómeno tem as marcas das alterações climáticas, que tornam estas ondas de calor mais quentes, mais longas e muito mais frequentes. Para Simon Stiell, secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas, esta onda de calor é “um forte lembrete das crescentes consequências humanas e económicas da crise climática”.Em declarações à agência France-Presse, citadas pela Lusa, Stiell apontou como principal culpado “a dependência mundial da queima de carvão, petróleo e gás, assim como a desflorestação”, e apelou a uma transição mais rápida para a energia limpa e a um maior investimento na resiliência climática.Mortes em França e Reino UnidoAs consequências, entretanto, fazem-se sentir em vários países. Em França, sete pessoas morreram directa ou indirectamente devido à onda de calor, disse na terça-feira a secretária de Estado da Energia, Maud Bregeon, um dia depois de o serviço meteorológico francês ter registado o dia de Maio mais quente da história do país. Em Hossegor, no departamento de Landes, no sudoeste, o termómetro chegou aos 37,1°C — a temperatura mais elevada alguma vez medida em França num mês de Maio.Cinco das sete mortes foram afogamentos em lagos, rios ou praias, e as restantes ocorreram durante a prática de exercício físico ao ar livre. Um corredor de 53 anos morreu de ataque cardíaco, e cerca de dez outros participantes em corridas em Paris foram hospitalizados no domingo. O Governo francês ordenou às autoridades locais que tomassem medidas para proteger as pessoas durante eventos desportivos, descreve o jornal El País. Há 13 departamentos em alerta laranja e nove em alerta máximo desde terça-feira, com mais de 26 em nível amarelo — com temperaturas a ultrapassar em mais de 10 graus os valores habituais para esta época do ano. Para quinta-feira preveem-se 39°C no sudoeste.No Reino Unido, Kew Gardens, em Londres, bateu o recorde de temperatura para Maio dois dias seguidos — 34,8°C na segunda-feira e 35,1°C na terça, superando o anterior máximo histórico de 32,8°C, que datava de 1944. A onda de calor fez também vítimas mortais por afogamentos: cinco adolescentes e um homem de 60 anos perderam a vida em rios, lagos e no mar enquanto procuravam refrescar-se, segundo o jornal El País.Portugal e Itália sob pressãoEm Portugal, como avançou o Azul, Mora atingiu os 39,4°C e Alcobaça os 36,1°C na terça-feira, valores que superam os recordes registados em Maio de 1957 e 1978, respectivamente — sendo necessário recuar 69 anos no caso de Mora para encontrar o anterior máximo. O IPMA alerta para uma possível onda de calor com duração até 15 dias no interior do país, estando quase todos os distritos sob aviso. As previsões para os próximos dias apontam também para trovoadas secas e ventos fortes, sobretudo nos distritos de Vila Real, Viseu, Coimbra, Aveiro, Braga e Viana do Castelo.Em Itália, Turim tem sido palco de cortes de electricidade repetidos em vários bairros, com os semáforos apagados a provocar caos no trânsito, relata a agência Reuters. A empresa local Iren, que abastece cerca de 650 mil clientes na cidade, admitiu que a onda de calor chegou mais cedo do que o previsto, colocando os cabos eléctricos sob tensão térmica. O presidente da Câmara, Stefano Lo Russo, reconheceu que a rede eléctrica da cidade é antiga e que o aumento das temperaturas e do consumo estão a expor as suas fragilidades.Para modernizar a rede primária de Turim, noticia a Reuters, a Iren lançou um plano de 515 milhões de euros até 2030 — mas a frequência crescente das ondas de calor complica a execução do projecto. As autoridades municipais abriram espaços públicos com ventilação e ar condicionado para acolher os cidadãos.

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