Brasileiros lideram compras de imóveis em Portugal entre cidadãos estrangeiros
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Os brasileiros, ao lado de angolanos e franceses, são os estrangeiros que mais compram imóveis em território português. Segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal, os estrangeiros responderam por 28% de todas as moradias negociadas no país em 2025, movimentando 859 milhões de euros. Além de estarem à frente daqueles que compram imóveis à vista, os brasileiros também são os estrangeiros que mais recorrem ao crédito imobiliário, respondendo por quatro em cada 10 financiamentos concedidos pelos bancos a cidadãos que vêm de fora.”Temos visto uma demanda forte entre os brasileiros por imóveis em Portugal”, diz Marta Salgado, diretora de Vendas da Athena Portugal, empresa que tem como um dos sócios fundadores Roman Carel, que, por vários anos, morou no Rio de Janeiro. “Os brasileiros compram imóveis, sobretudo, para moradia, mas também vemos um movimento entre aqueles que querem empreendimentos para investimentos”, acrescenta. Nesse segundo grupo estão os brasileiros de mais alta renda, que buscam imóveis premium.Um grande diferencial para os brasileiros que adquirem imóveis em Portugal para moradia está na taxa de juros cobradas nos financiamentos imobiliários, afirma Dario Ferraço, sócio da Re/Max SF, com sede em São Paulo. “Enquanto, no Brasil, os juros se situam em torno de 12 % ao ano, em Portugal, estão perto de 4% anuais. Essa diferença nas taxas acaba compensando a diferença cambial [um euro vale seis reais]”, assinala.
Marta Salgado, diretora de Vendas da Athena Portugal, diz que acesso a crédito amplia valor do imóvel adquirido por estrangeiros
Arquivo pessoal
No caso dos brasileiros muito ricos, que chegam a comprar imóveis de até 8 milhões na região de Cascais, acredita Ferraço, tem pesado, sobretudo, a segurança em Portugal. “São pessoas que, até bem pouco tempo, só olhavam para Miami e Orlando, nos Estados Unidos, e, agora, estão vendo Portugal como uma alternativa promissora. Portugal deixou de ser olhado como destino turístico ou de imigração para se tornar uma opção de investimentos”, frisa.Segurança e deslocamentoMarta Salgado acrescenta que, além de brasileiros, angolanos e franceses, um outro grupo de estrangeiros vem se destacando na compra de imóveis em território luso: o de norte-americanos. Ela ressalta que o tíquete médio dos imóveis que a Athena tem vendido gira em torno de 1 milhão de euros. “Trabalhamos com um público de renda mais elevada”, diz. “Como há facilidade para que estrangeiros tenham acesso a crédito imobiliário em Portugal, isso acaba elevando o valor dos imóveis adquiridos”, ressalta.
Dario Ferraço, da Re/Max, afirma que Portugal já não é visto mais só como destino turístico, mas também para investimentos
Divulgação
A diretora da Athena afirma que, nos últimos meses, reforçou o foco no público brasileiro. “Temos, inclusive, um escritório no Brasil, além de uma representação em Londres”, destaca. Para ela, o mercado imobiliário tende a se manter aquecido nos próximos meses, sobretudo em regiões como Cascais e Lisboa. “Além da questão da segurança, que pesa muito nas decisões dos estrangeiros que compram imóveis em Portugal, há a facilidade de deslocamento, uma vez que o país está conectado por via aérea com as principais regiões do mundo”, emenda.Dario Ferraço complementa que dois movimentos podem frear o interesse de estrangeiros por imóveis em Portugal: um aperto maior nas regras de imigração — recentemente, o Governo português alterou a Lei de Estrangeiros e a Lei da Nacionalidade — e uma disparada mais forte dos preços dos imóveis. “Nos principais centros urbanos, como Lisboa, já vemos escassez de imóveis — o que puxa os preços para cima”, enfatiza.O sócio da Re/Max SF destaca que também tem observado um interesse de portugueses por imóveis no Brasil, especialmente em regiões turísticas, como o Nordeste do país. “O interesse principal é por imóveis de lazer, de temporada. Os portugueses preferem pagar os imóveis à vista, com recursos próprios”, frisa.
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