Polícia investiga mortes de pacientes vistos por médicos falsos no Brasil
A Polícia Civil está a investigar a atuação de dois homens suspeitos de exercer medicina ilegalmente, no Hospital de Clínicas Jardim Helena, em São Paulo, no Brasil. As informações sobre a Operação Hipócrates II foram divulgadas, na terça-feira, pelas autoridades, que dão conta de que os dois teriam sido responsáveis por cerca de 2 mil atendimentos ao longo de dois anos e de que há pelo menos nove mortes relacionadas a serem averiguadas.
Os dois homens, segundo explicou o secretário da Segurança Pública citado pelo G1, são Marcos Phelipe de Barros e Maike César Silva.
Marcos, detido na terça-feira – e cujo pai também exercia medicina ilegalmente, tendo ligações com crime organizado -, utilizava documentos verdadeiros de um outro médico.
O segundo suspeito, Maike Silva fugiu para o Chile e é considerado foragido.
Num dos casos, que remonta a 2024, uma mulher diagnosticada com dengue sofreu uma paragem cardíaca e viria a morrer depois de ter sido vista pelos dois “médicos”.
“Não sabiam como proceder. Passou a ficar numa situação delicada até que teve uma paragem cardíaca, e não sabiam como ressuscitar. É uma manobra muito simples para uma pessoa com conhecimento técnico realizar”, afirmou José Mariano Filho, responsável pela investigação, na conferência de imprensa relativa ao caso.
Noutro, uma mulher que sofria de problemas cardíacos ficou “oito horas sem que fosse feito um exame cardíaco que apuraria que estava com um aneurisma na aorta”. Segundo o relatório da autópsia, devido “a esse intervalo tão longo, morreu”, referiu o delegado.
As investigações começaram depois de várias denúncias terem sido feitas após atendimentos hospitalares em dezembro de 2025. Segundo o jornal, os investigadores descobriram que Marcos começou a atuar inicialmente na ala pediátrica. Não há, no entanto, confirmação de mortes de crianças relacionadas com o caso.
Além de consultas no hospital, o homem também atuava na telemedicina a partir da sua própria casa.
Já Maike também trabalhava no serviço de emergência do serviço de atendimento médico de Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo.
A defesa de Marcos afirmou que ele é biomédico e recusa que tivesse alguma vez atuado como médico. Já Maike, explicam, é auxiliar cirúrgico e ambos podiam trabalhar em ambiente hospitalar. Os advogados consideram que a operação é “injusta” e que o foragido pretende entregar-se às autoridades.
Hospital é responsável?
A investigação policial tem também como alvo a possível omissão da direção do hospital, pois os suspeitos recebiam salários inferiores aos dos demais médicos da unidade, o que levantou suspeitas. Para o secretário da Segurança Pública, o hospital tem responsabilidade no caso porque a direção devia ter verificado o currículo dos profissionais antes de os contratar.
De acordo com a Polícia Civil, o hospital já tinha sido alertado sobre a atuação dos falsos médicos em dezembro do ano passado e a Justiça determinou o afastamento da gestora do hospital e do diretor clínico da unidade.
Numa nota, ao G1, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) afirmou que “o exercício ilegal da medicina é caso de polícia” e informou que, quando identifica profissionais que se fazem passar por médicos ou que tentam registar-se como tal através de documentos falsos, aciona os órgãos competentes.
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