Governo da Madeira defende que Reserva Marinha D. Carlos tem de salvaguardar pesca

Governo da Madeira defende que Reserva Marinha D. Carlos tem de salvaguardar pesca

Governo da Madeira defende que Reserva Marinha D. Carlos tem de salvaguardar pesca

A Secretaria Regional do Ambiente da Madeira afirmou esta terça-feira que a criação da Reserva Natural Marinha D. Carlos só poderá avançar com a salvaguarda total da pesca madeirense.“Só haverá reserva marinha se estiver plenamente garantida a continuidade da pesca regional. Esta foi, é e será sempre a posição do Governo Regional da Madeira”, salientou a tutela, em comunicado.A Secretaria Regional do Turismo, Ambiente e Cultura acrescentou que “a protecção do oceano não pode ser feita contra os pescadores madeirenses, nem à custa das actividades tradicionais que sustentam famílias, comunidades e a economia azul regional”.


“Nesse sentido, o Governo Regional deixa uma garantia firme: a pesca tradicional da Madeira continuará salvaguardada no âmbito da futura Área Marinha Protegida. Essa é uma condição essencial, inegociável e transversal a todo o processo de criação da reserva”, sublinhou.A tutela reforçou que, “sem essa garantia, não haverá condições para a Madeira acompanhar este processo”, reiterando que a conservação dos oceanos e a defesa dos pescadores madeirenses “são duas prioridades que têm de caminhar lado a lado”.A criação da Reserva Natural Marinha D. Carlos, que será a maior área marinha protegida em Portugal ao abranger o complexo dos montes submarinos Madeira-Tore e Banco de Gorringe, esteve em consulta pública entre 20 de Janeiro e 6 de Março.


Cuidado com “protecção de papel”A 13 de Março, foi divulgado o parecer do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável (CNADS) que recomendou ao Governo a revisão da proposta de diploma sobre a criação da Reserva Natural Marinha D. Carlos, por não assegurar os objectivos de conservação, nomeadamente ao permitir técnicas de pesca incompatíveis com a preservação.O CNADS considerou que a actual formulação “notável por não assegurar os objectivos de conservação enunciados nem incorporar de forma adequada o vasto corpo de evidência científica sobre a importância desta área para a conservação da natureza”.Os ministérios do Ambiente e Energia e da Agricultura e Mar revelaram em Janeiro que a futura Reserva Natural Marinha D. Carlos tem uma área de 173 mil quilómetros quadrados e “levará Portugal a atingir 25% de área marinha protegida sob soberania nacional”.Na ocasião, foi também divulgado que o regime de protecção salvaguarda as pescarias que operam com artes de pesca de carácter artesanal, selectivas e de baixo impacto ambiental.A protecção de 30% do oceano (e outro tanto em terra) está prevista no Quadro Global da Biodiversidade Kunming-Montreal, aprovado em 2022 no Canadá, no âmbito da Convenção sobre a Diversidade Biológica. Está também prevista no âmbito da Estratégia de Biodiversidade da União Europeia.

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