Irão executa um homem condenado por participar nos protestos de janeiro

Irão executa um homem condenado por participar nos protestos de janeiro

Irão executa um homem condenado por participar nos protestos de janeiro


“Abbas Akbari foi enforcado esta manhã”, informou o site Mizan Online, porta-voz do poder judicial da República Islâmica, descrevendo o executado como “um dos líderes armados” dos protestos na província central de Isfahan.

De acordo com o Mizan, Akbari “abriu fogo contra as forças de segurança nas ruas” e atacou edifícios governamentais e centros de saúde na cidade de Nain.
O mesmo site refere que o executado foi considerado culpado de várias acusações, incluindo “moharebeh” (“guerra contra Deus”) e atos que, segundo as autoridades, visavam minar a ordem pública e a segurança nacional.
Akbari foi executado após o Supremo Tribunal confirmar a sua sentença, adiantou a mesma fonte.
Até agora, 13 homens tinham sido executados pelo alegado papel nos protestos de janeiro.
As execuções têm vindo a aumentar no Irão desde o início da guerra com Israel e os Estados Unidos, no final de fevereiro.
As organizações de defesa dos direitos humanos estimam que mais de 30 homens tenham sido enforcados devido às manifestações, acusados de pertencerem a grupos proibidos ou de espionagem.
De acordo com as ONG de defesa dos direitos humanos, incluindo a Amnistia Internacional, o Irão é o país que mais utiliza a pena de morte, a seguir à China.
O principal objetivo, segundo o diretor da ONG Direitos Humanos no Irão, Mahmoud Amiri Moghaddam, é “incutir medo na sociedade e impedir futuros protestos”.
O aumento do número de execuções não teve “consequências políticas para a República Islâmica”, observou o responsável da ONG baseada na Noruega, acrescentando que “é provável que as execuções diárias continuem e até aumentem nas próximas semanas e meses”.
Para o grupo Hengaw, também sediado na Noruega, a execução de segunda-feira é “um claro exemplo de assassínio sancionado pelo Estado, com o objetivo de intimidar a sociedade e anular o direito legítimo do povo de protestar”.
Na passada quinta-feira, a Amnistia Internacional informou que foram condenados à morte 78 “manifestantes, dissidentes e outros indivíduos ligados ou acusados ??de ligação a grupos de oposição”.
O Hengaw indicou hoje que um tribunal revolucionário condenou quatro arguidos à morte e outros quatro a penas de prisão pelo assassínio, em 2022, de um membro do grupo paramilitar Basij, em Teerão.
Segundo a organização, os arguidos “não tiveram acesso a advogados, nem puderam apresentar adequadamente a sua defesa, apesar das significativas ambiguidades e irregularidades na investigação”.
Por sua vez, a agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, afirmou que o Supremo Tribunal iraniano anulou as sentenças de morte de um casal, Mohammadreza Majidi-Asl e Bita Hemmati, num caso relacionado com os protestos de janeiro, um desenvolvimento que o poder judicial ainda não reconheceu.
Até então, o caso de Hemmati era o único conhecido de uma mulher condenada à morte no âmbito dos protestos contra o regime de Teerão que antecederam o ataque norte-americano e israelita.
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