<em>Emails</em> contradizem MAI sobre demissão de secretário-geral-adjunto
Correspondência electrónica trocada entre António Pombeiro e membros do gabinete do ministro Luís Neves contradiz a versão apresentada pelo Ministério da Administração Interna (MAI) para a demissão do secretário-geral adjunto.De acordo com informação avançada pela CNN Portugal, que diz ter tido acesso aos emails, no momento em que formalizava a intenção de se demitir, António Pombeiro já fazia referências directas ao major-general Paulo Viegas Nunes, presidente do SIRESP. Na troca de correspondência, é criticado directamente o modelo de governação defendido pelo militar, com Pombeiro a acusar Viegas Nunes de tentar aproximar o SIRESP da esfera das Forças Armadas.Estas informações contradizem directamente a versão apresentada pelo MAI nesta segunda-feira. Em comunicado, a tutela garantia que António Pombeiro tinha pedido a exoneração a 28 de Abril, “antes de ser conhecida a escolha do major-general Viegas Nunes”. Em cima da mesa estariam “motivos diferentes dos que estão agora em causa”.No email enviado por António Pombeiro a 28 de Abril, o primeiro pedido de demissão que não seria aceite, o então secretário-geral-adjunto faz acusações de conflitos de interesses, levantando a existência de irregularidades relacionadas com contratos e procedimentos de contratação pública “já sinalizadas em auditoria da Inspecção-Geral de Finanças”.António Pombeiro voltaria a apresentar novo pedido de exoneração menos de um mês depois, a 22 de Maio, no dia em que o Governo confirmou a nomeação de Paulo Viegas Nunes para a presidência do SIRESP.Entretanto, o Chega acusou nesta terça-feira a adjunta do ministro da Administração Interna de tentar condicionar o relatório sobre o SIRESP, com o conhecimento de Luís Neves, e desafiou o Governo a prestar esclarecimentos e retirar consequências. Em comunicado, o partido liderado por André Ventura diz ter na sua posse “elementos documentais que demonstram a tentativa da adjunta do ministro da Administração Interna – e com o seu conhecimento – de alterar/condicionar o relatório que iria ser tornado público sobre o SIRESP”.O partido pede ao ministro da Administração Interna para “prestar todos os esclarecimentos suscitados publicamente e a retirar consequências, caso se confirme, relativamente ao comportamento da sua adjunta no Ministério da Administração Interna”. Esta acusação já tinha sido lançada pelo presidente do Chega em entrevista ao canal Now, na segunda-feira à noite.O Chega refere também que o pedido de demissão do secretário-geral adjunto do Ministério da Administração Interna aconteceu “depois de terem sido denunciadas ao MAI irregularidades e suspeitas graves na gestão do SIRESP, e não antes, conforme tentou fazer crer o MAI na sua narrativa”. “É importante que o esclarecimento desta nomeação e destes factos seja feito publicamente e o mais depressa possível, para evitar sobressaltos e dúvidas quanto à integridade na gestão de um dossier tão importante para o país”, defende o partido.MAI rejeita ilegalidadesO Ministério da Administração Interna (MAI) rejeitou nesta segunda-feira ilegalidades na gestão da rede SIRESP durante a presidência de Paulo Viegas Nunes, avançando que “não existe qualquer impedimento” que ponha em causa a sua idoneidade para as funções.“A SIRESP S.A. foi alvo de uma auditoria visando o período de 2022-2024, resultando de uma denúncia apresentada por um ex-vogal”, começa por contextualizar o ministério em resposta enviada à Lusa, informando que “as conclusões são públicas (Dezembro de 2024) e não apontaram ilegalidades”. E conclui: “As desconformidades de procedimentos identificadas foram integralmente corrigidas, conforme é referido no relatório.”O Chega e a Iniciativa Liberal foram rápidos a anunciar a chamada do ministro da Administração Interna ao Parlamento, bem como do demissionário António Pombeiro e do general Paulo Viegas Nunes, o escolhido para reocupar a liderança do SIRESP.Notícia actualizada com acusação feita pelo Chega



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