Stan Wawrinka despediu-se do <em>major </em>que venceu em 2015
Stan Wawrinka pode recusar comparações com os “Big Four” (Novak Djokovic, Rafael Nadal, Roger Federer e Andy Murray), mas o seu lugar no top 5 do ténis deste século é inegável. No período de domínio absoluto por parte dos três maiores gigantes da modalidade, Wawrinka sempre acreditou que era possível contrariar o favoritismo dos rivais e venceu três. O ponto alto dessa resiliência aconteceu em 2015, em Roland Garros, quando ergueu a desejada Taça dos Mosqueteiros.A sua longa história no torneio francês chegou ao fim após uma batalha de três horas frente ao neerlandês Jesper de Jong, atual 106.º do ranking mundial, com os parciais de 6-3, 3-6, 6-3 e 6-4. No final do seu 66.º encontro disputado em Roland Garros, Wawrinka foi alvo de uma emotiva homenagem com mensagens de lendas como Federer, Nadal, Djokovic, Carlos Alcaraz e Gael Monfils – também ele a disputar o torneio pela última vez. Comovido, Wawrinka agradeceu ao torneio que o fez sonhar e moldou o seu desejo de ser profissional. “Foi graças a torneios como o de Roland Garros que sonhei tornar-me tenista. Obrigado por tornarem estes sonhos possíveis”, agradeceu emocionado.A ligação profunda com a terra batida parisiense começou muito antes da carreira profissional, quando ainda criança criou uma ligação emocional eterna com o Open de França. “Roland Garros remete-me para a minha infância. Estamos em Maio-Junho, o início das férias, por isso, para mim, são as melhores recordações: voltas da escola e vês todos os jogos na TV, muitas vezes ficava a assistir o dia todo. Lembro-me muito bem desses dias”, afirmou o tenista nascido há 41 anos (e 57 dias) em Lausanne – o mais velho tenista a integrar o quadro principal do torneio francês desde o húngaro Istvan Gulyas em 1973 (com 41 anos e 220 dias).Título júnior em 2003Em 2003, Wawrinka surpreendeu o circuito ao vencer o torneio júnior de Roland Garros, superando as participações de contemporâneos como Djokovic e Murray. A vitória foi inesperada, pois o suíço estava focado em somar pontos no circuito profissional através de torneios secundários. “Foi uma surpresa, uma vez que era o único Grand Slam juvenil que disputava nesse ano. Estava a jogar mais torneios satélite e Futures para acumular pontos no ranking ATP”, disse o suíço, um dos três (juntamente com Ivan Lendl e Mats Wilander) a vencer Roland Garros enquanto júnior e profissional.‘Stan’ demorou algum tempo a alcançar o seu verdadeiro potencial nos grandes torneios, mas foi persistente, fiel ao lema tatuado no antebraço – “Sempre tentei. Sempre falhei. Não importa. Tenta outra vez. Falha outra vez. Falha melhor”. Em 2014, triunfou no Open da Austrália, no ano seguinte em Roland Garros e, em 2016, no Open dos Estados Unidos. Depois, duas cirurgias ao joelho esquerdo e outras duas ao pé esquerdo impediram-no de se manter no topo. Do seu currículo sobressaem ainda uma medalha de ouro olímpica em pares (com Federer) nos Jogos de 2008 e a conquista da Taça Davis, em 2014.Wawrinka despede-se definitivamente do circuito em Outubro, no torneio de Basileia, e antes, em Julho, é esperado no Millennium Estoril Open.Novo recorde para DjokovicNa véspera, foi Novak Djokovic (4.º) a assumir o papel de protagonista principal. Ao entrar no court Philippe Chatrier, o sérvio de 39 anos estabeleceu um novo recorde com 82 presenças em torneios do Grand Slam, ultrapassado Roger Federer e Feliciano Lopez, com quem partilhava a melhor marca. Ao sair, após derrotar o francês Giovanni Mpetshi Perricard (80.º), por 5-7, 7-5, 6-1 e 6-4, Djokovic manteve a esperança de conquistar um 25.º título do Grand Slam, apesar da rodagem se ter resumido a um único encontro – derrota em Roma, frente ao croata de 20 anos, Dino Prizmic.“Chegar a Roland Garros com apenas um encontro em terra batida não é a estratégia ideal, não fazia parte dos planos, mas foi uma situação que tive de aceitar devido à lesão. É o que é. Preparei-me para Paris e sempre planeei vir e dar o meu melhor, tentar ir o mais longe possível no torneio. Vamos ver. O meu corpo está bem por enquanto e, claro, preciso de melhorar o meu jogo e espero que isso aconteça à medida que for progredindo”, adiantou Djokovic.Esta terça-feira, estreiam-se, entre outros, os líderes dos rankings mundiais, Jannik Sinner e Aryna Sabalenka, e também Jaime Faria (115.º esta semana), que defronta o canadiano Denis Shapovalov (ex-10.º e actual 39.º), no quarto e último encontro do court 6.



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