Rubio fala de acordo “bastante sólido” para reabrir Ormuz, mas Irão rejeita que seja “iminente”
Trata-se de um optimismo cauteloso por parte dos norte-americanos, a avaliar pelo que disse o secretário de Estado, Marco Rubio, na manhã desta segunda-feira aos jornalistas. “Há algo de bastante sólido em cima da mesa em termos da capacidade iraniana de reabrir o estreito de Ormuz”, afirmou. “Há muito apoio no Golfo” para que isso aconteça, acrescentou.“Esperávamos ter algumas notícias na última noite, talvez hoje — não daria muita importância a isso”, afirmou, levando a intuir que um desfecho para a guerra, que já dura há praticamente três meses será iminente.O Irão, que num primeiro momento se recusou a comentar sobre as negociações, já veio pôr água na fervura: “Embora tenhamos chegado a conclusões sobre muitas questões em discussão, não quer dizer que a assinatura de um acordo seja iminente”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmail Baghaei, numa conferência de imprensa. “Ninguém pode dizer isso.”Com tantos problemas de confiança mútuos, Baghaei afirma que não há “qualquer garantia” de que Washington venha a honrar os termos de qualquer compromisso a que se chegue. Além disso, deixou claro que o que se estava a falar aqui é de “terminar a guerra” — incluindo a de Israel no Líbano — e não da “questão nuclear”.Essa é uma questão fundamental para os norte-americanos, que justificaram a ofensiva contra o Irão no fim de Fevereiro com a alegação de que Teerão estava prestes a conseguir ter uma arma nuclear, algo que o Irão rejeita.Um responsável norte-americano, que falou sob anonimato com a Reuters, afirmou que o Irão concorda “em princípio” com a reabertura do estreito de Ormuz, mas só se os EUA levantarem o bloqueio naval, cumprindo a exigência de se livrarem do seu urânio enriquecido. “A questão é como”, afirma. Uma das opções em cima da mesa, de acordo com as fontes iranianas consultadas pela mesma agência noticiosa, é a de que a diluição seja feita sob a supervisão de um órgão da ONU.Antes disso, a agência noticiosa semioficial iraniana Tasnim, associada aos Guardas da Revolução, escrevia que os EUA estavam a tentar obstruir partes de um potencial acordo, incluindo a libertação dos activos congelados de Teerão.De qualquer forma, o que as mais recentes negociações deixam transparecer é que este acordo funcionará a dois tempos. Num primeiro momento, a prioridade é reabrir o estreito de Ormuz, por onde, antes da guerra, passava um quinto do petróleo mundial. Para depois ficaria a conversa sobre a suspensão do programa nuclear do Irão e o destino do seu arsenal de mísseis.Ninguém parece querer apressar o processo: os EUA procuram um “bom acordo” ou “arranjam outra forma” de o conseguir, afirmou Marco Rubio, nesta segunda-feira, fazendo eco das palavras de Donald Trump, que, no domingo à noite, na rede social Truth, escrevia que “ambos os lados têm de levar o seu tempo para acertar” — talvez numa tentativa de baixar as expectativas.O facto é que o calendário começa a pesar-lhe. Restam a Trump menos de seis meses para as eleições intercalares que vão marcar a segunda parte do seu mandato na Casa Branca. E, internamente, é alvo de críticas, algumas vindas do seu próprio partido.O senador republicano Ted Cruz diz que o acordo seria um “erro desastroso” e o senador Roger Wicker afirma que um cessar-fogo de 60 dias quereria dizer que “tudo o que a Operação Fúria Épica conseguiu seria para nada”.Por outro lado, a guerra está a ter um impacto real na popularidade de Donald Trump e no custo de vida dos norte-americanos. Algo que o Irão sabe bem: “O Irão não cede à pressão e os EUA deviam negociar; mas se quiserem gasolina a seis dólares [o galão, que corresponde a 3,78 litros] então deviam continuar a fazer bluff”, escreveu o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, no X, nesta segunda-feira.



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