A cabeça fria de Luís Tralhão: “Nem me mexi no segundo golo”
Em 120 minutos, o Torreense conquistou a Taça de Portugal frente a uma equipa que está habituada a estas coisas, ganhou um lugar na fase de liga da Liga Europa (e atirou o Benfica para a segunda pré-eliminatória) e, de caminho, ainda vai disputar a Supertaça da próxima época frente ao FC Porto. Tudo isto sem saber em que divisão vai jogar em 2026-27.No Jamor, a equipa de Torres Vedras fez história, por si própria e pelo futebol português, mas no que Luís Tralhão já está a pensar é no jogo de quinta-feira, em Rio Maior, com o Casa Pia, que poderá, ou não, elevar o “orgulho do Oeste” à I Liga. Tralhão não perde o foco e nem sequer se permitiu festejar o golo de Stopira que acabaria por decidir a final.“Não me mexi no segundo golo. Ainda estava a pensar no tempo que faltava e o que era preciso fazer. Hoje tive o discernimento de ter a cabeça fria para tomar boas decisões, nem sempre é assim. Há uns meses, na Liga Revelação, marcámos no último minuto ao Estrela da Amadora e entrei em campo”, contou o técnico do Torreense sobre como encarou aqueles minutos finais frente ao Sporting.Para Tralhão e para o Torreense, ganhar a Taça é subir ao céu, e ambos têm permissão para festejar. O treinador não vai é cumprir uma promessa que implicaria uma mudança radical de visual. “Quanto à festa, não faço a mínima ideia do que vai acontecer. Há uns meses, quando jogámos com o Fafe, disse que ia rapar o cabelo e fazer uma tatuagem se ganhássemos a Taça. Acho que não vou cumprir aquilo que disse.”Com uma lista longa de agradecimentos e dedicatórias, que incluiu jogadores, adeptos, dirigentes e família, Tralhão, que foi promovido a meio da época dos sub-23, apontou a resiliência como a principal explicação para o triunfo no Jamor. “A nossa maior força foi a capacidade de perceber que podíamos ganhar. Sabíamos que íamos ter pouco tempo, não preparámos muito o jogo, mas já andamos a preparar este jogo há muitos meses, e é verdade que a resiliência é uma das principais características”, reforçou.Luís Tralhão apontou vários momentos-chave do jogo para o triunfo da sua equipa. “Foi muito bom começar o jogo a ganhar, dá serenidade e tranquilidade, mas tirou-nos capacidade de ter e circular a bola”, apontou. Depois, veio o intervalo, em que não sentiu a equipa ansiosa. “O facto de o Sporting não ter marcado na primeira parte deu-nos um capital de confiança”, continuou. “Roçámos a perfeição. Se calhar é um pouco exagerado, porque eles também podiam ter marcado, foram algumas oportunidades, mas não foram assim tantas, e criámos perigo nas que tivemos.”E agora, como irá esta conquista influenciar o desfecho de uma época que pode ser ainda melhor com uma eventual subida à primeira divisão, algo que escapa ao Torreense desde 1992? “Já estou a pensar um pouco na quinta-feira, temos festa hoje, mas temos de trabalhar amanhã. Eles sabem que isto ainda não acabou.”



Publicar comentário