Israel convoca diplomata espanhola após confronto com ativistas em Bilbau

Israel convoca diplomata espanhola após confronto com ativistas em Bilbau

Israel convoca diplomata espanhola após confronto com ativistas em Bilbau


“A encarregada de negócios da embaixada de Espanha em Israel foi convocada hoje para uma reunião de esclarecimento no Ministério dos Negócios Estrangeiros, na sequência de graves atos de violência das autoridades espanholas contra os provocadores da flotilha”, escreveu o ministério israelita na rede X, referindo-se aos ativistas que participaram na flotilha humanitária e foram detidos pelas autoridades israelitas, tendo sido expulsos do país na quinta-feira.

A convocação de um diplomata ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) representa uma repreensão ao país, na política internacional.
No sábado, à chegada de seis ativistas ao aeroporto de Bilbau, norte de Espanha, registaram-se confrontos entre polícias, ativistas e apoiantes, de que resultaram quatro detenções por rebelião agravada, resistência à detenção e agressão a agentes da polícia.
Os detidos, dois ativistas e dois apoiantes, foram libertados no mesmo dia.
Na mesma publicação, o MNE israelita indica que a ação diplomática foi realizada “por instrução do ministro Gideon Saar”.
No encontro com a encarregada de negócios Francisca Pedrós, o diretor político do ministério, embaixador Yossi Amrani, “apontou a hipocrisia do Governo espanhol, que envia os seus provocadores para Israel e depois condena Israel pelas suas ações legais para impor um bloqueio naval legal — enquanto, ao mesmo tempo, as autoridades espanholas empregavam violência severa contra esses mesmos participantes da flotilha”.
O representante da diplomacia espanhola “exigiu uma explicação sobre por que motivo, quase 24 horas após os graves atos de violência cometidos pelas autoridades espanholas, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ou qualquer um dos seus ministros ainda não consideraram adequado condenar a violência das autoridades espanholas, enquanto estes são sempre rápidos a condenar Israel sob qualquer pretexto”.
Para o Governo israelita, as autoridades espanholas “só tiveram de lidar com provocações levadas a cabo por alguns dos participantes da flotilha contra Israel — enquanto Israel enfrentou provocações muito mais graves por parte de centenas de participantes da flotilha durante cada uma das últimas seis flotilhas”.
“E, no entanto, as autoridades espanholas recorreram a uma violência severa que não foi empregue por Israel”, destacou o ministério.
No sábado, o MNE israelita já tinha reagido com sarcasmo aos confrontos no aeroporto de Bilbau, ao exigir, na rede X, uma explicação ao Governo espanhol “pelo tratamento dado aos anarquistas da flotilha”, que disse estarem “a enlouquecer a polícia espanhola”.
O diretor político também exigiu explicações à encarregada de negócios sobre o motivo pelo qual o Governo de Madrid “até agora não tomou nenhuma ação relativamente ao ativista da flotilha e cidadão espanhol Saif Abukashk”, que esteve detido por Israel no mês passado, e que Telavive acusa de “ter ligações” ao movimento islamita palestiniano Hamas, o que o próprio nega.
As autoridades israelitas detiveram no início da semana passada cerca de 430 ativistas que participavam numa flotilha, com perto de 50 embarcações, que pretendiam romper o bloqueio israelita e levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
Os ativistas foram expulsos de Israel na quinta-feira e denunciaram maus tratos e agressões, incluindo sexuais, por parte das forças israelitas, o que gerou uma onda de críticas internacionais, incluindo de Madrid.
Espanha anunciou em março a retirada da sua embaixadora em Telavive, devido ao agravamento do conflito no Médio Oriente com os ataques israelo-americanos ao Irão, embora a diplomata já estivesse em Espanha desde setembro de 2025, quando foi chamada para consultas, num contexto de deterioração das relações bilaterais.
O Governo do socialista Pedro Sánchez tem sido um dos mais duros nas críticas ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, no âmbito da União Europeia.
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