Ébola: com RD Congo em alerta, Medicina do Viajante avisa quem viaja para o Uganda
Têm sido dias de alertas sobre o surto de Ébola na República Democrática do Congo. Depois de a Organização Mundial da Saúde (OMS) ter aumentado o risco para “muito elevado” a nível nacional na sexta-feira e o Uganda confirmar cinco casos este fim-de-semana, a Sociedade Portuguesa de Medicina do Viajante (SPMV) alertou que quem viajar para este último país deve ter uma “estratégia de contingência”.“Viajar para o Uganda, neste momento, é possível, mas não deve ser feito sem uma estratégia de contingência”, assinalou, em comunicado, a sociedade citada pela agência Lusa, alertando para a volatilidade das fronteiras e a evolução do surto na República Democrática do Congo, que tem como um dos países vizinhos o Uganda. “Manter-se informado e actualizado, escolher rotas que minimizem o risco logístico e privilegiar sempre as orientações das autoridades de saúde internacionais é fundamental”, lê-se ainda.Um dos grandes perigos apontados no comunicado é a logística, alertando-se para a possibilidade de o Ruanda ou o Uganda poderem fechar as fronteiras terrestres. Menciona-se ainda que pode haver cancelamento de voos ou a exigência de quarentena no regresso e com o país de origem ou de escala a exigir testes para confirmar a existência de infecções. A sociedade relembra que outra questão está ligada ao seguro de viagem e se este cobre emergências sanitárias, pois a maioria funciona “no imprevisto”.O surto de Ébola foi declarado a 15 de Maio na província de Ituri, na República Democrática do Congo, e há órgãos de comunicação social que mencionam que há mais de 200 mortes suspeitas e mais de 850 casos de infecção em análise. O país suspendeu os voos comerciais e privados de e para Bunia, a capital de Ituri, para que a propagação do vírus se contenha, indica a agência Reuters. “Os voos humanitários, médicos ou de emergência só serão autorizados mediante aprovação especial das autoridades aeronáuticas e sanitárias”, informou o Ministério dos Transportes, em comunicado.Embora a OMS tenha aumentado para “muito elevado” o risco a nível nacional, Tedros Adhanom Ghebreyesus, o director-geral da organização, indicou, na última sexta-feira, que o risco é alto para a região africana e baixo a nível mundial.Na República Democrática do Congo, ataques a centros de tratamento do Ébola têm dificultado a luta das autoridades na contenção do vírus, assinala-se num artigo publicado pela agência Associated Press e mencionado pela agência Lusa.Dois dos ataques aconteceram nas zonas de Rwampara e Mongbwalu, onde foram detectados muitos dos casos. Aí, centros de tratamento foram incendiados. Num dos incêndios, um grupo de locais tentou recuperar o corpo de um amigo que tinha morrido, de acordo com relatos de testemunhas e da polícia, citados pela Associated Press. As autoridades acabaram por proibir os velórios e reuniões com mais de 50 pessoas em algumas zonas, para que se possam conter o vírus.Colin Thomas-Jensen, director da organização não-governamental Iniciativa Humanitária Aurora, afirmou à Associated Press que os ataques reflectem “cepticismo e raiva” da população relativamente ao surto. Mencionou ainda que estas reacções podem estar relacionadas com a situação que se vive há vários anos nestas zonas do país, nomeadamente a violência por parte de grupos rebeldes e da dificuldade em se alcançar a paz.Gabriela Arenas, coordenadora regional da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, referiu, também à Associated Press, que o surto está a “ocorrer em comunidades que já enfrentam insegurança, deslocação de populações e sistemas de saúde frágeis”. As Nações Unidas estimam que quase um milhão de pessoas se deslocaram das suas casas devido a conflitos em Ituri. Também já foram confirmados casos nas províncias de Kivu do Norte e Kivu do Sul, onde rebeldes assumiram o controlo. Com Lusa



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