"Parecer doidinhos". Mãe e padrasto terão alinhado defesa diante da GNR
A mãe e o padrasto das duas crianças francesas abandonadas junto à via pública, no concelho de Alcácer do Sal, na passada terça-feira, terão alinhado uma estratégia de defesa diante dos militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), um dos quais denunciou o plano às autoridades. A informação foi avançada esta sexta-feira pela RTP, que deu conta de que o casal pretendia alegar um distúrbio psicológico.
“Temos de parecer doidinhos”, terá dito Marine Rousseau a Marc Ballabriga, de acordo com o Observador.
O plano terá sido traçado durante o trajeto entre Fátima, onde a mulher de 41 anos e o homem de 55 anos foram detidos, na tarde de quinta-feira, e o posto territorial de Palmela, antes de seguirem até ao tribunal de Setúbal, esta sexta-feira. Contudo, um dos militares ouviu – e percebeu – a conversa em francês, que denunciou junto da justiça.
Ainda assim, certo é que o casal demonstrou comportamentos bizarros tanto à entrada do órgão judicial, como na esquadra. Marine dedicou-se a cantar em alto e bom som, proeza que repetiu ao chegar a tribunal, e Marc terá gritado com os militares e tentado danificar a cela, de onde terá recusado sair, de acordo com a SIC Notícias. Já antes de entrar no tribunal, o homem vociferou “je vous aime” (eu amo-vos, em português), mas não ficou claro para quem se estaria a dirigir.
Marc Ballabriga à chegada ao tribunal de Setúbal© Getty Images
Entretanto, a CNN Portugal avançou que a mãe dos meninos não falará em tribunal, enquanto o padrasto terá manifestado intenção de prestar declarações. Note-se que, até agora, ambos têm recusado cooperar com as autoridades.
Os meninos de 4 e 5 anos, identificados como Zacharie e Barthélémy, terão sido raptados pela própria mãe no seu país de origem. Os menores terão entrado em Portugal no dia 11 de maio, com a progenitora e o padrasto, por Miranda do Corvo. Três dias depois, o pai das crianças reportou o desaparecimento dos filhos, em França.
Após terem sido abandonados, os meninos foram encontrados pelas 19h00, por Alexandre Quintas. O padeiro contou ao Correio da Manhã que as crianças estavam a “chorar e a gritar”, tendo telefonado a uma conhecida, de nacionalidade francesa, para traduzir. Barthélémy, o menino mais velho, “explicou que o padrasto vendou os dois e mandou-os procurar um brinquedo”. “Depois, ficaram sozinhos”, disse.
O porta-voz da GNR, Carlos Canatário, asseverou, em declarações à RTP, que há dois processos em França associados à mulher: um sobre responsabilidade de poder parental, entre pai e mãe, e outro por subtração de menores, referente a um filho de 16 anos que também terá sido abandonado, em França. Uma vez que existem mandatos de detenção europeus em simultâneo, os suspeitos “terão de ser presentes também ao Tribunal da Relação, independente do que seja tratado” em Setúbal.
O casal é suspeito da prática dos crimes de violência doméstica e de exposição e abandono das duas crianças, que foram entregues a uma família de acolhimento, após terem tido alta hospitalar, na quinta-feira.
O caso das crianças francesas que foram encontradas sozinhas no concelho de Alcácer do Sal, na terça-feira, também está a correr França. Eis alguns dos dados que a comunicação social está a destacar.
Daniela Filipe | 23:58 – 21/05/2026



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