Portugueses na flotilha: "O que eles filmam é a parte boa. Foi horrível"
“Estamos de volta e é importante continuarmos a agir. Sentimo-nos obrigados a fazer este tipo de ações porque os nossos governos não agem de acordo e acaba por cair sobre a sociedade civil a responsabilidade de agir contra todos estes crimes contra a humanidade que Israel continua a cometer, contra o genocídio, contra o ‘apartheid’”, declarou Gonçalo Dias ao jornalistas na chegada no aeroporto do Porto.
“O que eles filmam é a parte boa, digamos assim, foi horrível, a violência foi muito gratuita. Estivemos presos alguns dias num barco, havia dois barcos. No nosso barco havia duas pessoas que foram baleadas, uma perna outra no baço, não sei como este rapaz está. Batiam-nos, havia muita violência”, afirmou.
Segundo o ativista as horas de detenção foram pesadas, mas também mais fáceis de suportar porque estavam “rodeados de pessoas com a mesma crença, com a mesma motivação”, “estávamos a dar-nos muita força também”.
Gonçalo Dias só soube na quinta-feira da reunião do Presidente, António José Seguro, com as famílias dos ativistas, sublinhando ainda que funcionários da embaixada portuguesa na Turquia também os foram receber no aeroporto em Istambul.
“Então, sentimos esta solidariedade”, referiu Gonçalo Dias.
“[Ao chegar ao porto israelita Ashdod] achei que ia continuar o que estava a acontecer nos barcos, as agressões físicas e psicológicas, foi um pouco isso, não sabia quando tempo que iria durar este processo”, indicou.
“Comparados com alguns, tivemos alguma sorte. Bateram-me, amarraram as algemas com muita força, ainda não sinto estes três dedos, deram cotoveladas, pontapés, mas nada do que aconteceu com outras pessoas”, referiu.
“Tenho ainda de entender qual foi a repercussão [da flotilha]. A missão será cumprida quando os nossos governos se posicionarem, quando Portugal cortar relações com Israel, quer comerciais, quando nós deixarmos de permitir que os Estados Unidos usem a base das Lajes como quiserem para fazer a guerra no Médio Oriente, também deixarmos de permitir que o Estado português seja conivente com que está a acontecer, indicou.
“Estou feliz, aliviado de estar em casa e ver as pessoas que amo”, referiu.
Também Beatriz Bartilotti, a outra médica portuguesa detida por Israel, contou que houve “muita violência”, mas lamentou que “esta solidariedade só aconteça quando pessoas que não são palestinianas são expostas” à mesma.
“Houve muita violência. Fomos torturados, espancados”, revelou a ativista Beatriz Bartilotti aos jornalistas, à chegada ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, na manhã desta sexta-feira. A médica instou ainda o Estado português a repensar as relações com Israel.
Tomásia Sousa | 10:04 – 22/05/2026
Em declarações à Lusa na quinta-feira, Paulo Rangel já havia confirmado que os dois ativistas iriam viajar naquele mesmo dia de Israel para Istambul, na Turquia, de onde partiriam hoje para o regresso Portugal.
As Forças Armadas de Israel realizaram, entre segunda e terça-feira, a interceção em águas internacionais dos cerca de 50 barcos da flotilha humanitária, onde estavam os portugueses, que tentavam chegar à Faixa de Gaza com cerca de 430 ativistas a bordo.
Esta operação está a ser marcada pelas imagens polémicas do ministro da Segurança Nacional israelita, Itamar Ben Gvir, a humilhar dezenas de ativistas, o que motivou protestos de várias capitais europeias.
As autoridades israelitas já haviam anunciado que a deportação dos ativistas estrangeiros da Flotilha Global Sumud seria realizada na quinta-feira.
A União Europeia (UE) classificou como “completamente inaceitável” o tratamento dado aos ativistas da flotilha para Gaza detidos por Israel.
Leia Também: Portugueses na flotilha já chegaram ao Porto: “Fomos torturados”



Publicar comentário