A Índia tem uma nova estrela na política… é uma barata
Há um novo partido político (não oficial) na Índia que está a ganhar cada vez mais destaque no país… e a sua mascote é a barata.
A origem do partido, de natureza satírica, teve início na semana passada, após comentários polémicos do presidente do Tribunal Supremo da Índia, Surya Kant. Segundo a BBC, o juiz comparou os jovens desempregados a baratas.
“Há tantos jovens quanto baratas, eles não arranjam trabalho, eles não têm um lugar profissional”, afirmou.
De notar, que a faixa etária dos 15 aos 29 anos da Índia é a maior do mundo, mas está atualmente com níveis altíssimos de desemprego, com quase 40% dos jovens licenciados a não conseguirem arranjar trabalho.
A declaração do magistrado gerou, por isso, uma polémica nacional, levando Kant a esclarecer, mais tarde, que se referia a pessoas com “cursos falsos ou fraudulentos” e não à juventude indiana no geral. Mas por essa altura, já o ‘estrago’ estava feito.
Em protesto, foi criada uma página de Instagram chamada o Cockroach Janta Party (Partido da Barata Janta), ou CJP, na sigla. O nome, para além de se apropriar do insulto de Kant, usa faz uma alusão também ao partido do primeiro-ministro, Narendra Modi, chamado Bharatiya Janata Party (Partido Bharatiya Janata, ou BJP na sigla), o qual está no poder desde 2014.
No seu site, o CJP apresenta-se como a “Voz dos Preguiçosos e Desempregados”, afirmando-se como “um partido político para as pessoas que o sistema esqueceu”. Na lista de requisitos para integrar o partido elencam ser “desempregado (por obrigação, por escolha ou por princípio. Não perguntamos)”, “preguiçoso (apenas fisicamente. O cérebro tem de continuar a entrar em espirais)”, estar “cronicamente online (o mínimo é 11 horas por dia, incluindo pausas para a casa de banho)” e ter a capacidade de “divagar profissionalmente (desde que o conteúdo seja inteligente, honesto e realce algo que importe)”.
A iniciativa partiu de um estudante de comunicação política estratégica da Universidade de Boston, que, à BBC, confessou que não passava apenas de uma brincadeira.
“Achei que nos devíamos unir, talvez criar uma plataforma”, admitiu Abhijeet Dipke. O que acabou por criar ultrapassou por completo as suas expectativas.
O símbolo da barata espalhou-se pela internet, valendo à página de Instagram do CJP já mais de 18 milhões de seguidores, que não param de aumentar. O movimento tomou proporções tal, que já há manifestantes a saírem às ruas em protesto vestidos de baratas.
Aliás, a força da barata na Índia é tal que, aparentemente, a conta no X do CJP não é possível de aceder a partir do próprio país. Quando quem lá está tenta entrar aparece um alerta a informar de que aquela página está a ser bloqueada “em resposta a uma notificação judicial”. Não há, para já, qualquer informação disponível de um processo contra o movimento.
Leia Também: Índia adia cimeira com a África devido à epidemia de ébola



Publicar comentário