"Se Farioli falar italiano no treino do FC Porto, é porque está chateado"
Qual foi a chave para esta temporada, o segredo para a conquista do campeonato? “Acho que foi a união. Sem dúvida. Desde o primeiro momento em que nos sentámos com o míster, ele também transmitiu isso. Tivemos algumas perdas no meio do nosso caminho e a nossa união, o ajudar sempre o parceiro, foi o que ajudou esta equipa a evoluir e a continuar a ganhar os jogos. Foi um ano difícil para os nossos colegas e estivemos sempre a apoiar: nós, a Direção, a estrutura… acho que isso também os trouxe mais rápido de volta para os treinos e para os jogos. Foram momentos difíceis, especialmente o do Jorge Costa, porque era o nosso diretor, estávamos todos os dias com ele e ver uma pessoa partir assim é algo que nos custa muito. Ele fez muito pelo FC Porto e este título, não tenho dúvidas, foi por ele. Agradecemos por tudo o que ele fez por nós e este título é para ele. Estará sempre connosco.”
O Jorge metia-se muito consigo? “Sim, o Jorge sempre foi uma pessoa que brincava muito comigo, ele era brincalhão. O que eu tirava dele era sempre o empenho e a entrega que mostrava todos os dias, e o facto de ser uma pessoa sempre a sorrir, sempre divertido. Emocionei-me [homenagem no estádio], porque pensei no que ele passou comigo no ano passado – que foi um ano importante para mim – e este ano não estar aqui a viver isto connosco, custa-nos um bocado. Mas foi por ele, ele merecia muito isto.”
Guarda alguma mensagem dele, alguma frase ou palavra que ele costumasse dizer? “Nós tínhamos algumas brincadeiras de balneário que não podemos dizer aqui, mas essas brincadeiras e alguns nomes que ele me chamava vão ficar sempre na minha cabeça. Era assim que ele era: brincalhão, sempre a sorrir.”
No que diz respeito a raça, garra e foco, ele era um símbolo de tudo isso. Sente que isso acompanhou o grupo também? “Sim, sem dúvida. O Jorge sentia muito o Futebol Clube do Porto. Sabia o que era honrar esta camisola e demonstrava isso quando era jogador e também como diretor. Passou-nos essa mensagem de quão difícil e exigente era vestir esta camisola, e acho que isso passou para a equipa. Em todos os momentos, a equipa entregou-se. Mesmo nas derrotas, a equipa teve sempre uma atitude muito boa.”
O que é que o Francesco Farioli mudou nesta equipa? Qual é a imagem de marca dele? “Acho que é a exigência física. Nós corremos muito, isso nota-se em todos os jogos e reflete-se no resultado. Foi algo que ele demonstrou desde a pré-época que queria. Tive de me adaptar um bocado ao estilo de jogo e mudar talvez a minha forma de jogar. Tive de me esforçar mais a nível físico e defensivo, que foi o que ele me pediu.”
Quem é o Rodrigo que começa e o Rodrigo que acaba esta temporada? “Sinto que sou um jogador diferente e melhor em muitos aspetos. Defensivamente estou melhor e, com bola, agora vou buscar mais o jogo atrás para fazer a equipa jogar. Sou um jogador mais completo e isso também importa muito. Se calhar, o que fiz no ano passado não fiz tanto neste ano, mas nem sempre é possível.”
O míster teve o cuidado de falar muito sobre isso. Trouxe ‘dores de crescimento’? “Foi difícil, tive que tentar perceber o que ele queria e ver também o Gabri, que já estava mais habituado àquela posição. Foi um ano de estar sempre a pensar no que podia melhorar, a cada treino e cada dia a melhorar. O míster percebeu isso e estou mais completo. Sinto-me compensado, até porque fui campeão. Valeu a pena passar por momentos difíceis e por tudo o que fiz.”
Como é que viveram a gestão de minutos e o facto de os jogadores intercalarem tanto os jogos? “Não é fácil. Eu e o Gabri falávamos muito, ficávamos os dois chateados porque queríamos muito jogar. Sair aos 60 minutos era um bocado chato para nós e falámos com o míster sobre isso, mas é a ideia dele e fomo-nos habituando. Eu e o Gabri sempre tivemos uma relação muito boa e é assim que tem de ser. Uma vez também lhe perguntámos por que motivo não jogávamos juntos, mas tudo na brincadeira.”
Jogarem os dois juntos era uma boa ideia? “Eu e o Gabri queríamos muito, mas o míster é que sabe e é ele que manda.”
Como são os treinos com Farioli? “Pesados e muito difíceis. São parecidos aos jogos, sempre muito intensos. Respiramos pouco nos treinos. Ele exige o máximo, porque o treino prepara-te para o jogo.”
Ele parece muito sereno nas conferências. Nos treinos é igual ou é diferente? “É parecido. É uma pessoa tranquila, não é de se exaltar ou de berrar. É um treinador muito sério e focado no que tem de ser feito.”
Lembra-se da primeira palestra dele? “Lembro-me de ele falar das feridas que tínhamos da época passada e que ele também tinha (no Ajax), e que este era o momento para as curar. E esta época curou-as. Ele fala inglês connosco. Se falar italiano é porque já está chateado.”
Ele elogiou-o várias vezes publicamente. O que é que ele disse que mais te agradou? “Acho que foi ele ter percebido a minha maturidade e o quanto eu me esforcei para mudar para a tática dele. Não foi uma transição fácil mudar o meu estilo de jogo para o dele.”
Vem aí o mercado e o teu nome é muito falado. Como encaras isso? “Com normalidade. Sabemos que às vezes se falam coisas que não acontecem. Eu lido de forma tranquila. O que tiver de acontecer, acontecerá. Como já disse, ficar no Porto é sempre um sonho para mim. Estou aqui desde os 8 anos, já lá vão 11. É o clube onde cresci e aprendi tudo, por isso ficaria muito contente por ficar.”
Qual é a expectativa relativa à convocatória do Roberto Martínez? “Não sei. Estou na pré-convocatória. A seleção tem muita qualidade, qualquer um pode ir. Se for ao Mundial, ficarei muito grato; se não for, estarei a apoiar. Posso dar a minha qualidade, a minha irreverência e imprevisibilidade. E posso ser o “amuleto da sorte”, porque quando lá fui uma vez, vencemos a Liga das Nações.”
Numa extensa entrevista concedida esta segunda-feira ao Canal 11, Rodrigo Mora passou em revista a temporada desportiva do FC Porto, falando do momento que mais o marcou ao longo de 2025/26
Notícias ao Minuto | 23:02 – 18/05/2026



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