Cerca de 3.000 trabalhadores ainda sem indemnizações após fecho da Mozal
“É preciso sublinhar aqui que, neste horizonte de 20 empresas [fornecedoras da Mozal], algumas já cumpriram e já pagaram. Portanto, podemos estar aqui a falar por aí de 3.000 trabalhadores que estejam ainda em causa”, disse à Lusa o secretário-geral do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Indústria Metalúrgica, Metalomecânica e Energia (Sintime), Américo Macamo.
Em causa está o encerramento em 15 de março das atividades na Mozal, instalada nos arredores de Maputo e uma das maiores fundições em África – com mais de 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos, devido a um conflito sobre tarifas de energia.
A unidade entrou em regime de manutenção e conservação, como avançou então o diretor-executivo da South32, Graham Kerr, prevendo que, sem produção, a empresa vai gastar 60 milhões de dólares (52,4 milhões de euros), incluindo na “rescisão de contratos”, custando só a manutenção, anualmente, cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros).
Hoje, o secretário-geral do Sintime avançou que, no total de 20 empresas que prestavam serviços à Mozal, e que também encerraram ou reduziram a atividade, só oito pagaram na totalidade os direitos aos seus trabalhadores, lamentando a situação dos restantes.
“Algumas empresas já compensaram, está tudo feito, porém, temos outras que infelizmente ainda não conseguiram compensar devido a várias linhas de dificuldades que atravessam e elas também foram apanhadas de surpresa por esta súbita interrupção das atividades deste empreendimento”, explicou Américo Macamo, considerando “complicada” a situação vivida por estas empresas.
Segundo o Sintime, a Mozal pagou a todos os colaboradores, conforme a garantia dada antes da entrada em manutenção, cabendo somente às empresas cumprirem “integralmente” com os preceitos legislativos moçambicanos, com o sindicato a explicar que compreende a situação atual das empresas devedoras, bem como a exigência dos trabalhadores.
“Temos conseguido pedir calma, para seguirmos juntos [com] aquilo que seriam os caminhos mais aconselháveis, que nem sempre a força resolve as coisas (…). É um passo que é proporcional àquilo que nos pode trazer a solução sobre um alçado mais próximo em termos de celeridade”, disse Américo Macamo, em alusão a trabalhadores que falavam “em contactar o tribunal” para resolver a situação.
Segundo o Sintime, que não avançou dados sobre montantes da dívida e empresas envolvidas, alguns lesados manifestaram também a intenção de destruírem as infraestruturas das empresas devedoras.
“Nós aconselhámos que não seria o caminho, porque quem sabe, aliás, é uma realidade, [que] este empreendimento de fundição de alumínio vai reabrir, ainda que não estejamos em altura agora de falar de prazos, vai abrir, e estas infraestruturas serão necessárias, os próprios trabalhadores serão necessários”, realça a entidade sindical.
O secretário-geral do Sintime avançou que algumas empresas continuam a operar, apesar de “em passo muito lento” e com a redução do número de trabalhadores.
“Temos o caso de umas que realmente tiveram que fechar as portas”, lamentou.
A South32 considerou anteriormente “totalmente insustentável” a tarifa de energia proposta para a Mozal, justificando assim o seu encerramento, sem descartar reativar a atividade da maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.
A Mozal produziu 248 mil toneladas de alumínio nos últimos nove meses antes de encerrar, em março, menos 6% face ao mesmo período de 2025, segundo dados oficiais consultados na primeira semana de maio pela Lusa.
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