Baleia libertada no Mar do Norte encontrada morta ao largo da Dinamarca
A baleia-jubarte que foi libertada no Mar do Norte, a 2 de maio, depois de ter ficado repetidamente encalhada na costa alemã do Mar Báltico, foi encontrada morta ao largo da Dinamarca, segundo adiantaram as autoridades daquele país, este sábado.
O animal encalhou na quinta-feira ao largo da ilha de Anholt, no Kattegat, o amplo estreito entre a Dinamarca e a Suécia, que liga o Mar Báltico ao Mar do Norte. O local está a cerca de 70 quilómetros de onde a baleia, que foi apelidada de Timmy e de Hope, foi libertada.
“Já é possível confirmar que a baleia-jubarte encalhada perto de Anholt é a mesma baleia que anteriormente encalhou na Alemanha e que foi alvo de tentativas de resgate”, disse a chefe de divisão da Agência Dinamarquesa de Proteção Ambiental, Jane Hansen, à Associated Press.
A responsável deu conta de que as condições meteorológicas deste sábado permitiram que um funcionário daquele organismo encontrasse e recuperasse um dispositivo de localização que ainda estava fixado nas costas da baleia, sendo que “a posição e o aspeto do dispositivo confirmam de que se trata da mesma baleia que tinha sido anteriormente observada e manuseada em águas alemãs”.
Segundo Hansen, “neste momento, não há planos concretos para remover a baleia da área ou para realizar uma necropsia, e não se considera que represente um problema”. Contudo, advertiu que é importante que a população se mantenha afastada do animal, tendo em conta a possibilidade de ser portador de doenças.
Recorde-se de que a baleia, cujo sexo não foi determinado, foi avistada pela primeira vez ao largo da costa alemã, no dia 3 de março. Desconhece-se porque é que a baleia-jubarte nadou até ao Mar Báltico, que fica longe do seu habitat natural, no Oceano Atlântico, mas alguns especialistas equacionaram que poderá ter-se perdido enquanto perseguia um cardume de arenques ou durante a migração.
Timmy, assim apelidado por ter sido encontrada na cidade balnear alemã de Timmendorfer Strand, foi resgatado no final de março. Contudo, rapidamente voltou a encalhar em águas rasas. A baleia-jubarte estava visivelmente em sofrimento, mantendo-se praticamente imóvel durante dias. Quando se mexia, nadava na direção errada. Além disso, respirava de forma irregular e tinha um problema de pele grave, devido ao baixo teor de sal do Mar Báltico. O agravamento do estado de saúde do animal desencadeou uma tentativa de resgate controversa que envolveu equipas financiadas por fundos privados, pelas autoridades regionais e pela comunidade científica.
Na altura, o biólogo marinho da Greenpeace Thilo Maack disse à Associated Press que os trabalhos de resgate estavam a prejudicar o animal e a provocar-lhe stress.
“Acredito que a baleia vai morrer muito em breve. E gostaria também de levantar a questão: o que há de tão mau nisso? Sim, os animais vivem, os animais morrem. Este animal está muito, muito muito, muito, muito doente. E decidiu procurar descanso”, argumentou.
Entretanto, a iniciativa privada confirmou que o dispositivo de localização encontrado no animal morto correspondia ao que tinha sido colocado em Timmy e disse que, para já, não era possível determinar a causa da morte de forma conclusiva.
O ministro do Ambiente de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, Till Backhaus, indicou, este sábado, que a iniciativa tinha dado à baleia “uma última oportunidade de recuperar a sua liberdade e saúde”, mas que o animal não tinha conseguido aproveitá-la.
“Aceitar a tentativa de resgate não constitui uma crítica à ciência. […] Penso que é absolutamente humano aproveitar até a mais pequena oportunidade quando está em jogo uma vida”, defendeu, em comunicado.
Timmy, a baleia jubarte que esteve semanas encalhada no Mar Báltico, pode não ter sobrevivido após um resgate que custou 1,5 milhões de euros. Desde segunda-feira que não há qualquer sinal de GPS do animal – o que significa que não veio à superfície.
Carolina Pereira Soares | 20:22 – 05/05/2026



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