Venezuela continua "a violar direitos de cidadãos" de dupla nacionalidade

Venezuela continua "a violar direitos de cidadãos" de dupla nacionalidade

Venezuela continua "a violar direitos de cidadãos" de dupla nacionalidade


“Estão a violar os Acordos de Genebra e as convenções internacionais. É um direito que cada cidadão com dupla nacionalidade tem de se dirigir a esse país [da segunda nacionalidade] para receber assistência consular. Isso não é um presente, não é uma concessão, é algo que está contemplado no Direito Internacional”, disse o coordenador-geral da organização não-governamental (ONG) venezuelana.

Óscar Murillo falava à Agência Lusa em Caracas, na Universidade Central da Venezuela, à margem da apresentação do “Relatório Provea 2025” sobre a situação dos direitos humanos no país.
“Quando um cidadão é preso, independentemente dos motivos (…) as autoridades nacionais (venezuelanas) devem notificar imediatamente o consulado. (…) Isso não aconteceu e, além disso, tem sido negado, às pessoas, o direito à defesa”, explicou.
“Aqui são violados os direitos humanos dos nacionais, dos estrangeiros e das pessoas com dupla nacionalidade. (…) Estamos a atravessar uma fase muito sombria, no que diz respeito aos direitos humanos no país”, frisou.
Dados atualizados da organização Justiça, Encontro e Perdão dão conta de que na Venezuela há 667 presos políticos, entre os quais cinco portugueses.
Destacada ONG venezuelana, a Provea monitoriza e documenta de violações de direitos humanos no país, publica relatórios anuais e mantém ações de defesa dos direitos das vítimas de violações de direitos perante instituições nacionais e internacionais, e ainda de denúncia de abusos cometidos pelas forças de segurança do Estado, detenções arbitrárias, tortura e restrições às liberdades.
À Lusa, o coordenador-geral da Provea adiantou “é importante que a comunidade internacional e, sobretudo, os países da União Europeia, com base nos valores democráticos e nos princípios dos direitos humanos, não defendam apenas os direitos dos seus cidadãos, mas também contribuam de forma significativa para a restauração da democracia e dos direitos humanos no país”, frisou.
O relatório apresentado avalia os avanços e retrocessos em matéria de direitos consagrados na Constituição da Venezuela, entre eles os direitos civis e políticos, económicos, sociais e culturais, referiu.
“Infelizmente, temos de admitir que, no país, assistimos ao colapso do Estado de direito (…) A Constituição desmoronou-se e, quando isso acontece e não existem instituições que zelem pelas garantias desses direitos, estamos perante uma vulnerabilidade absoluta”, disse.
“A dignidade é violada quando há cidadãos nacionais, estrangeiros, e compatriotas, que passam meses numa prisão sem qualquer tipo de assistência consular, sem que lhes seja permitida uma visita, nem [nomear] um advogado de confiança”, vincou.
Murillo frisou ainda que os venezuelanos exigem democracia e direitos humanos e que para tal “é preciso voltar à Constituição”.
Sobre a situação no país, após a captura, pelos Estados Unidos, do ex-líder Nicolás Maduro, em 03 de janeiro, Murillo considerou que “há uma mistura de expectativas na população” de que as mudanças em curso possam “resultar em melhores condições de vida e maiores garantias democráticas”.
“No entanto, há outro sentimento forte, que é de enorme incerteza e frustração, porque a reforma, as mudanças a que temos assistido até agora, são simplesmente insuficientes e não satisfazem as expectativas da população venezuelana. Aqui exigimos democracia, legalidade, o cumprimento da Constituição, instituições credíveis e fiáveis para que possamos restaurar a dignidade humana do povo”, concluiu.
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