Quem é Leo Schilperoord, o paciente zero do surto de hantavírus no navio?

Quem é Leo Schilperoord, o paciente zero do surto de hantavírus no navio?

Quem é Leo Schilperoord, o paciente zero do surto de hantavírus no navio?


O paciente zero do surto de hantavírus no navio de cruzeiro MV Hondius foi identificado como o ornitólogo Leo Schilperoord, cuja paixão por pássaros lhe custou a vida.

O holandês, de 70 anos, e a esposa, Mirjam Schilperoord, de 69, estavam numa viagem de cinco meses pela América do Sul – e foram os primeiros a morrer desde o início deste surto de hantavírus.
O casal chegou à Argentina a 27 de novembro do ano passado e viajou pelo Chile e Uruguai, regressando à Argentina no final de março, onde embarcaram numa fatídica aventura de observação de pássaros.
Esta não era a primeira aventura do género deste casal – de Haulerwijk, uma pequena vila com 3.000 habitantes nos Países Baixos -, que já tinha feito, por exemplo, uma “inesquecível” excursão de 12 dias para observação de pássaros e vida selvagem no Sri Lanka em 2013.
Quando regressaram à Argentina, a 27 de março, visitaram um aterro sanitário a seis quilómetros da cidade de Ushuaia. O local, tomado pelo lixo, é evitado pelos moradores, mas serve como ponto de peregrinação para observadores de aves de todo o mundo em busca de uma criatura rara – o caracará-de-garganta-branca, apelidado de caracará-de-Darwin em homenagem ao famoso biólogo evolucionista Charles Darwin.
É precisamente nesse local que as autoridades suspeitam que o casal tenha inalado partículas das fezes de ratos-pigmeus-de-cauda-longa, que são portadores da temida estirpe transmissível do hantavírus entre humanos.
Quatro dias depois, a 1 de abril, o casal embarcou no navio MV Hondius em Ushuaia, juntamente com outras 112 pessoas, muitas das quais também observadores de pássaros ou cientistas.
Leo Schilperoord começou a sentir-se mal a 6 de abril, poucos dias depois de embarcar no navio de cruzeiro. Apresentou febre, dor de cabeça, dor de estómago e diarreia enquanto a embarcação navegava pelo Atlântico Sul.
O que inicialmente parecia uma doença leve acabou por se revelar o primeiro caso associado ao surto de hantavírus.
A 24 de abril, o corpo do holandês é levado para a ilha de Santa Helena. A mulher do passageiro também abandona o navio e é transferida para Joanesburgo, na África do Sul. Tinha um voo de ligação da KLM com destino aos Países Baixos, mas nunca chegou ao destino, uma vez que a tripulação a considerou demasiado doente para viajar e a retirou do avião. Mirjam desmaiou no aeroporto e morreu no dia seguinte.
A OMS confirmou até agora seis casos de oito suspeitos de infeção com hantavírus em pessoas que viajaram neste barco. Três pessoas morreram e nenhum dos doentes ou suspeitos de estarem infetados estão já a bordo.
Todas as pessoas que estão agora no MV Hondius estão sem sintomas de doença, segundo a OMS.
O barco viajava desde a Argentina até Cabo Verde, pelo Atlântico Sul, e suscitou um alerta sanitário internacional no passado fim de semana.
O hantavírus transmite-se geralmente a partir de roedores infetados. A variante detetada no paquete, o hantavírus Andes, é rara e pode transmitir-se de pessoa para pessoa.
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