Privatização da Tmcel Disputada por Três Grupos Internacionais
O Governo de Moçambique deu um passo determinante no processo de reestruturação do sector das comunicações ao avançar com a abertura do capital da Moçambique Telecom (Tmcel). Três entidades empresariais com presença e perfil internacional disputam a entrada na operadora pública nacional, num esforço governamental para recapitalizar a companhia, acelerar a modernização tecnológica e assegurar a sua viabilidade no exigente mercado das telecomunicações.
Candidatos com perfis distintos na corrida
O processo decorre na sequência da aprovação governamental da Resolução n.º 67/2026. O diploma autorizou formalmente a selecção de um investidor estratégico e prevê a alienação parcial das participações detidas pelo Estado na Tmcel. Actualmente, a estrutura societária da empresa está concentrada no sector público: o Estado detém directamente 66% das acções, enquanto o Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE) controla uma fatia de 26%.
Entre as propostas identificadas pela equipa técnica multissectorial designada pelo Executivo constam os seguintes intervenientes:
- AXIAN Telecom: grupo pan-africano sediado nas Maurícias com actuação em cerca de 11 mercados no continente e na região do Oceano Índico, detendo mais de 43 milhões de clientes activos no sector móvel;
- Consórcio Optimum Systems e Meridian Ventures: parceria que une uma tecnológica sediada no Catar a uma plataforma de investimentos estabelecida no Dubai;
- Aikun Solutions DMCC: entidade sediada nos Emirados Árabes Unidos com foco em serviços estratégicos e consultoria industrial especializada.
A comissão responsável pela condução das negociações tem a incumbência de avaliar o caderno de encargos e apresentar, até ao primeiro mês de 2027, o relatório detalhado que formalizará a proposta vencedora e as directrizes da operação financeira.
O quadro financeiro e os desafios de tesouraria
A busca por um parceiro com capacidade financeira comprovada surge num contexto económico que impõe urgência. Em 2025, a Tmcel conseguiu uma redução de 17,6% nas suas perdas líquidas, fixando o prejuízo do exercício em cerca de 3,94 mil milhões de meticais. Contudo, a quebra de 10,1% nas receitas anuais e o agravamento dos capitais próprios negativos, que ascenderam a mais de 19 mil milhões de meticais face a um passivo acumulado superior a 41 mil milhões, evidenciam a pressão estrutural sobre a gestão patrimonial.
A introdução de um parceiro estratégico procura viabilizar a estabilização financeira, modernizar as infra-estruturas críticas e garantir a competitividade sustentável da operadora estatal.
Activos estratégicos e concorrência no mercado nacional
Apesar das limitações orçamentais, a Tmcel dispõe de um conjunto expressivo de activos operacionais. A empresa possui uma infra-estrutura nacional suportada por mais de 1.300 antenas de transmissão, milhares de quilómetros de cabos de fibra óptica e uma carteira móvel de aproximadamente 1,79 milhões de subscritores. Estes números concedem-lhe cerca de 8% de quota do mercado moçambicano, num ecossistema comercial liderado pela Vodacom e pela Movitel.
Para a economia nacional, a conclusão bem-sucedida desta operação representa mais do que a redução de passivos do Tesouro: trata-se de dotar as telecomunicações do país de maior capacidade de expansão na rede de dados 4G e preparar terreno para novas tecnologias, essenciais à produtividade do tecido empresarial.
